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Congresso do SBN debateu estatutos, SAMS e negociação

O Congresso do Sindicato dos Bancários do Norte reuniu-se nas instalações de Pinheiro Manso – Residência Sénior (PMRS) – em 26 de outubro de 2019, para analisar as questões mais prementes relativas aos estatutos, ao SAMS e à negociação coletiva.


Esclarecimentos da COC

A Comissão Organizadora do Congresso (COC) tinha enviado a seguinte carta aos participantes, com os esclarecimentos que considerou necessários.

“Os estatutos do SBN estabelecem que o Congresso é um órgão consultivo, a quem compete dinamizar, analisar e debater temas de interesse geral para a classe bancária.
É constituído por toda a estrutura sindical, incluindo corpos gerentes e órgãos consultivos, coordenado pela MAGCGC e presidida pelo seu presidente.
Segundo o artigo 38º dos estatutos, o Congresso reunir-se-á ordinariamente no primeiro semestre do terceiro ano de mandato, data a contar da tomada de posse dos corpos gerentes.
O sindicalismo, quer a nível internacional, quer a nível nacional, e sobretudo no setor bancário, atravessa momentos de redefinição de objetivos e de reorganização.
É, pois, este o momento que os atuais corpos gerentes “acham por conveniente para auscultar os congressistas sobre temas que consideram candentes e de vital importância, quer para o sindicato, como estrutura de defesa dos direitos e deveres dos seus associados, quer, e principalmente, para a classe bancária, nos âmbitos económico, social e familiar”.

Os cerca de dez anos sem atualização salarial e o esbulho de alguns dos direitos adquiridos ao longo de anos de luta são temas que muito dizem aos trabalhadores, nomeadamente o serviço de saúde, a forma de organização sindical no setor, a negociação coletiva e o respeito pela família e pelos tempos de descanso e lazer.

Do debate estabelecido, “que se quer cívico e esclarecedor, a Direção tirará certamente as devidas ilações sobre o que deve ser o caminho sindical do SBN, num futuro que se prevê nada fácil”.




Agradecimentos iniciais

A sessão começou com o presidente da Mesa da Assembleia Geral, do Conselho Geral e do Congresso, Pereira Gomes, que agradeceu as tarefas desenvolvidas pela COC – constituída por Firmino Marques, Jerónimo Pereira, Francisco Mateus e Aristides Brites – e aos dois outros elementos da Mesa (Clara Quental e Luís Teixeira), saudando também os bancários utentes de PMRS que fizeram questão de assistir aos trabalhos.

Pereira Gomes recordou depois que o Congresso é uma forma estatutária em que todos podem apresentar problemas, sugestões e outras questões de importância para a vida do SBN.




Delmiro Carreira: silêncio e aplausos

O recente falecimento de Delmiro Carreira foi objeto de um ponto prévio introduzido por Firmino Marques, que teceu algumas considerações sobre o infausto acontecimento e que exarou um voto pesar, conforme a seguir reproduzimos.

“A vida, é uma passagem para a outra margem”diz o poeta… Mas a vida é também, e sobretudo, o intervalo, mensurável em tempo, entre o nascimento e a morte.

Morte, que será, sempre, o corolário do tempo que a todos nós espera, seres humanos, que habitamos este planeta.

Morte que um grande amigo meu, médico já falecido, designava como “uma doença incurável, que nasce connosco e nos acompanha toda a vida”. É uma verdadeira pandemia, dizia ele, que constantemente ataca a humanidade. Morte que, por isso, a todos atinge. A uns mais cedo, a outros mais tarde, mas que todos desejamos seja mais tarde. Ontem, dia 25 de outubro, essa pandemia retirou do nosso convívio um grande colega, um grande sindicalista, um acérrimo defensor das lutas dos trabalhadores, mas sobretudo um grande amigo – Delmiro Carreira. É por isso que, como reconhecimento do que Delmiro Carreira representou para os trabalhadores em geral, mas para os bancários em especial, “proponho a este Congresso a aprovação do voto de pesar, que passo a ler”.




Voto de pesar

“O Congresso do Sindicato dos Bancários do Norte, reunido no Porto em 26 de outubro de 2019, exara um voto do mais profundo pesar pelo falecimento de Delmiro Carreira.

Companheiro de longa data, desde os primórdios da existência do movimento sindical democrático português, Delmiro Carreira sempre se distinguiu, ao serviço do SBSI, onde chegou a presidente da Direção, pelo seu exemplo de dedicação em prol da defesa dos direitos e dos sindicatos assinaram por 0,8%, enquanto se continua a negociar os AE do Eurobic, da CGD e das CCAM.

Mário Mourão manifestou depois a opinião segundo a qual será necessário mudar a estrutura da negociação coletiva (uma vez que os sindicatos têm vindo a acomodar-se aos métodos tradicionais), invertendo um ciclo de estagnação que durou uma década: “Por nós, estaremos sempre na luta, independentemente de podermos ganhar ou perder. Se não lutarmos é que perderemos de certeza. Por vezes é preciso fazer interesses dos trabalhadores bancários. Com uma personalidade marcada por fortes – e por vezes inabaláveis – convicções, Delmiro Carreira deixa um lastro de saudade que não poderá ser preenchido.

Com alegria esfusiante na comemoração das vitórias e com uma forte determinação na hora das muitas lutas sindicais que travou – muitas vezes em parceria com o SBN -, Delmiro Carreira foi também exemplo marcante de companheirismo e de amizade, mesmo nos momentos em que as suas ideias não coincidiam com as dos parceiros de vida sindical.

Tendo o percurso de Delmiro Carreira sido digno e merecedor da nossa singela homenagem, o Congresso do SBN aprova também a realização de um minuto de silêncio em sua memória.Para que a memória não esqueça.”

O silêncio foi quebrado, imediatamente após, quando os congressistas se levantaram e irromperam numa espontânea e prolongada salva de palmas.




Mário Mourão: mudar a estrutura da negociação

Por seu turno, Mário Mourão, presidente do SBN, felicitou, em nome da Direção, os trabalhadores de PMRS, que tudo fizeram para tornar possível a realização do Congresso, os trabalhadores do sindicato que se empenharam na concretização do mesmo, os residentes de Pinheiro Manso que presenciaram o desenrolar do evento e os membros da COC. Lançando os temas em debate, Mário Mourão começou por recordar que os bancários têm sido fustigados por uma acentuada perda de rendimentos, ao que acresce uma significativa redução de postos de trabalho.

Lembrou também a manifestação no Millennium, no Tagus Park, o facto de o SBN – a que se juntaram os sindicatos dos Quadros e Independente da Banca – nunca ter desistido dos aumentos salariais para 2018 no BCP, ao contrário dos outros dois sindicatos da Febase, que aceitaram aumentos de 0,5% (inferior aos 0,8 da APB), o acontecido na mesa da APB que, ao contrário da nossa meta de 1 a 1,5%, aqueles a guerra para obter a paz.” – sublinhou. Por último, explicou as razões de ser dos três pontos constantes da ordem de trabalhos, que se encontravam sintetizados nos documentos distribuídos aos congressistas e que reproduzimos a seguir.




Alargamento do âmbito do SBN

Neste ponto, o documento apresentado aos congressistas, como introdução para a discussão do tema, acentuava que o projeto de estatutos que visam o alargamento de âmbito do Sindicato dos Bancários do Norte a todo o território nacional resulta do trabalho de uma comissão nomeada pelo Conselho Geral.

Esta iniciativa resultou da assembleia geral extraordinária realizada no dia 27 de novembro do ano transato, em que, com a natureza de recomendação, os associados foram chamados a apreciar e deliberar sobre a existência ou não de razões e condições verificadas que justificassem a decisão, pelo Conselho Geral, da extinção do SBN e respetiva integração num sindicato nacional a criar, sediado em Lisboa.

Como resultados, 98% dos votantes optaram pelo “não”, dando, assim, ainda mais consistência à opinião da Direção, que entendia dever optar-se precisamente nesse sentido, conforme resultava de uma exaustiva campanha de esclarecimento e informação junto dos associados.

Em consequência, recorde-se que o presidente da Direção, Mário Mourão, declarou à comunicação social: “Estamos muito atentos. Se os outros sindicatos avançarem para uma estrutura nacional, abrangendo a nossa área de intervenção, também nós avançaremos para tornar o SBN num sindicato nacional.”

De resto, desde 2003 e com insistências sucessivas, o SBN vinha colocando a questão de um SAMS único. Seria um objetivo fácil de concretizar, mas que os outros sindicatos não acolheram, o que constituiu um sinal claramente negativo no caminho para uma eventual unificação.




Processo de reestruturação do SAMS

Já no que diz respeito ao SMAS, o documento recordava que, como é por todos amplamente consabido, o nosso Serviço de Assistência Médico Social estava restringido à área de influência do SBN.

Ora, o acordo celebrado com a AdvanceCare tinha como um dos principais pressupostos o alargamento do âmbito, não tendo atingido, não obstante, as nossas expetativas.

A Direção do SBN continua a desenvolver o processo de reestruturação do SAMS, no sentido do alargamento de alguns serviços e da retoma da ligação direta com as entidades concessionadas.

Para além do mais, consideramos que há necessidade de manter uma rede alargada a todo o país, a fim de garantir a cobertura de todos os associados.

Para exemplo, sublinhe-se que a Implantologia está a beneficiar de um processo de implementação, a fim de constituir uma realidade já no próximo ano.

Outros passos estão a ser dados, nomeadamente na melhoria do atendimento, na alteração de algumas tabelas de comparticipações e na modernização dos postos clínicos.

Entretanto, estão a ser desenvolvidas ferramentas que permitam facilitar a interação dos associados com o SAMS, diminuindo a burocracia exigida para alguns procedimentos, o que requer perda de tempo e disponibilidade por parte dos beneficiários.




Refletir sobre a prática da negociação coletiva

O terceiro documento referia que a Direção considera que a negociação coletiva, nos últimos anos, não se tem revestido de um modelo que os associados mais gostariam de ver praticado. Assim, há que fazer uma reflexão, no sentido de procurar novas práticas a implementar no futuro que se avizinha.

Com efeito, constituindo uma área de grande importância, a negociação coletiva exige que os sindicatos – nomeadamente o SBN – definam uma estratégia diferente, face aos novos procedimentos das instituições de crédito, que responda e corresponda à composição do grupo negocial dos bancos, que tem vindo a evidenciar uma gritante falta de cultura face ao que foram as negociações, até um passado relativamente recente.

É uma realidade. Os novos negociadores patronais nada sabem do que se passava e de como se passava. Assim, a banca, com o crescente recurso a escritórios de advogados, demonstra cada vez mais um completo distanciamento face à realidade laboral vivida no setor, o que provoca dificuldades acrescidas à mesa das negociações.

É, pois, necessário encetar conversações, em ordem a modificar a situação reinante, que não corresponde ao valor que os trabalhadores desenvolvem, situação desmotivadora e impeditiva que “vistam a camisola” das instituições em que laboram.

Exemplo bem ilustrativo deste problema foram os acontecimentos recentemente ocorridos nas negociações com o Milleniumbcp.

É certo que serão pagos em outubro deste ano os aumentos relativos a 2018 e também aumentos de 2019, como adiantamento, o que só é possível porque os sindicatos que se encontravam à mesa das negociações – designadamente o SBN – não desistiram nem se renderam. No entanto, tais aumentos, mesmo assim, não são suficientes, pelo que os sindicatos decidiram continuar as negociações.

Importa não esquecer que, face à recusa do BCP em negociar e acordar a atualização das tabelas salariais e das cláusulas de expressão pecuniária, o SBN promoveu a conciliação – a que vieram a aderir o SNQTB e o SIB – e, posteriormente, a mediação, processo que, inclusivamente, se prolongou, tendo até chegado a dar-se início ao tribunal arbitral.

Neste contexto, o BCP, que vinha persistindo na tese da impossibilidade de aumentos, deu-se por vencido no último dia, aceitando a proposta da mediadora do Ministério do Trabalho, graças aos referidos sindicatos, que nunca se conformaram, e ao mérito e coragem dos trabalhadores que a nós se juntaram, conseguindo assim ultrapassar a rendição, a traição e a mentira de outros sindicatos, que se conluiaram com aquele banco para obstaculizar aumentos minimamente condignos.

Para esta vitória cumpre realçar o papel responsável e imparcial da Direção Geral do Emprego e Relações do Trabalho, na solução encontrada. Estamos convictos de que para tal desfecho muito contribuiu a histórica manifestação de 22 de maio no Taguspark, em que compareceram trabalhadores – ativos e reformados – de norte a sul do país, do interior ao litoral, conferindo-lhe uma dimensão como não se via há quarenta anos.




Ilda Martins: levar o SBN a novos patamares

Ilda Martins abordou duas temáticas que considerou de imediato estudo, referindo que, numa altura em que a sociedade está em constante mutação, em que estamos a viver tempos tecnológicos fascinantes, mas simultaneamente desafiantes, “é essencial e premente que o SBN tenha a capacidade de se adaptar continuamente à velocidade dessas constantes alterações”.

Assim, recentemente, na abertura de uma conferência realizada sob o tema “Banca do futuro” o governador do Banco de Portugal abordou a grande proliferação de novos operadores no sistema financeiro, denominados de fintech e bigtech, e considerou que o modelo tradicional de banca universal será posto em questão pelo desmembramento dos produtos que até agora lhe estavam associados, pois estas empresas têm vantagens competitivas. Referiu, ainda, que os novos tempos deverão levar a mais fusões entre bancos, devido à excessiva capacidade instalada para o mercado disponível. Ainda naquela conferência, o diretor geral de um banco digital disse que a banca de retalho está ultrapassada e que querem, definitivamente, ir buscar-lhe clientes. E a questão coloca-se: numa altura em que temos no nosso país uma diversidade de fintechs, estando já o Banco de Portugal a fiscalizar o desenvolvimento destas empresas, “não será pertinente o SBN debruçar- se sobre o acompanhamento deste mercado para a devida defesa dos seus trabalhadores, trazendo desta forma mais força sindical?”

Ao mesmo tempo, perante uma sociedade económica e financeira regida pelos mercados de capitais, que se baseia em conceitos materialistas, muito individualista, em que o mundo laboral é bem diferente das gerações anteriores, “o movimento sindical tem forçosamente que se redescobrir, desenvolvendo capacidades de luta assertivas, fixando objetivos claros e concisos”.

Neste contexto, e “deixando de lado algumas animosidades que por aí vagueiam, uma mesa negocial única, representativa de todos os trabalhadores da nossa área, com um contrato único, não seria uma mudança estratégica para ir buscar direitos já perdidos?” Uma coisa parece certa: os bancos estão conscientes dos desafios; todos estão a investir em conhecimento, dentro de portas, mas também estão com muita atenção ao que se faz fora.

O futuro está já à porta e vai “acelerar”. Vamos “levar o SBN a novos patamares!”




Firmino Marques: contratação é objetivo primeiro

A intervenção da Direção e os documentos que à chegada foram distribuídos mereceram de Firmino Marques as seguintes considerações

Contratação coletiva

Segundo o Código do Trabalho, os trabalhadores têm direito a constituir associações sindicais a todos os níveis, para defesa e promoção dos seus interesses socioprofissionais.

A contratação coletiva foi, é, e sempre será, o primeiro objetivo do sindicalismo – logo, como não poderia deixar de ser, do Sindicato dos Bancários do Norte.

No entanto, para haver uma verdadeira negociação coletiva tem que existir das duas partes em confronto - sindicato e patronato – boa-fé negocial: “Diz-nos a Direção do nosso sindicato que essa premissa – boa-fé – tem estado arredada da contratação do setor bancário, por parte das instituições de crédito que, pelos vistos, são pouco cumpridoras, para não dizer que andam arredias, da legislação do trabalho, em especial dos artigos 487, 488 e 489, do Código do Trabalho, que determinam as regras dessa contratação.”

Tal comportamento “é inadmissível”, sendo até passível de contraordenações por parte do estado, que “tem obrigação” de fiscalizar e fazer cumprir as normas que ele próprio estabeleceu e fez aprovar: “Diz-nos a nossa Direção que os negociadores patronais, que há muito deixaram de ser elementos das respetivas administrações, sendo substituídos par grandes escritórios de advogados – que faturam à hora – nada sabem da história da contratação no setor bancário, o que é demonstrativo do crescente desprezo que as instituições de crédito manifestam pelos seus trabalhadores…”

Assim, “é necessário e urgente que os trabalhadores bancários de uma vez por todas acordem do marasmo em que se deixaram adormecer e tomem consciência de que o sindicato não são os corpos gerentes que elegeram: esses são apenas os seus representantes perante a sociedade e o patronato – quantas vezes injustamente acusados de nada fazerem –, que, com sacrifício da sua carreira profissional e vida familiar, se predispõem a defender os seus representados”. Ou seja: “O Sindicato é, efetivamente, o conjunto dos seus associados.”

Do que atrás fica dito, “são exemplos as negociações que a Direção hoje nos relata, seja no acordo do BCP para 2018 – que apenas foi possível concretizar através da mediação do Ministério do Trabalho –, seja no ACT do setor bancário, ou em qualquer outra negociação em curso”.

É por isso que Firmino Marques apelou aos corpos gerentes do SBN para, independentemente das contrariedades do percurso, não desanimem e muito menos desistam: “Que outros sindicatos o façam! Não deve ser razão para baixar os braços, tendo, porém, sempre em consideração que os adversários dos trabalhadores são e serão sempre o patronato e não outros sindicatos, já que as direções são efémeras e passam, mas as instituições permanecem…”

SAMS

O orador fez a seguir uma pequena história sobre o aparecimento do Serviço de Assistência Médico Social (SAMS) dos trabalhadores bancários. Muitos não se lembrarão – outros não eram bancários antes do 25 de Abril.

Desta forma, quando da criação das antigas Caixas de Previdência, os bancos foram autorizados pelo regime de então a assumir eles próprios os encargos com os benefícios dependentes daquelas instituições, em especial a reforma devida aos trabalhadores.

Acontece que às caixas de previdência foi atribuída também a assistência médica às populações, tendo os bancários ficaram arredados e sendo, até ao 25 de Abril, a única classe trabalhadora não beneficiária do sistema de saúde (“bom ou mau, não interessa”).

Havia, pois, que com o advento da Revolução dos Cravos, obrigar as instituições bancárias a assumir, na totalidade, as obrigações da alçada das caixas de previdência.

Foi então negociado, em sede de contratação coletiva, o Serviço de Assistência Médico Social, hoje genericamente reconhecido por SAMS, cuja gestão foi atribuída a cada um dos sindicatos subscritores do acordo, livremente aceite por todas as partes.

Assim surgiu o SAMS/Norte – Serviço de Assistência Médico Social do Sindicato dos Bancários do Norte: “Como muito bem diz a Direção, este serviço estava e esteve durante décadas restringido à zona geográfica do SBN, e na maior parte das especialidades médicas, restringida aos serviços internos do próprio SAMS.”

Se ao longo de muitos anos, tal restrição era admissível e satisfazia a maior parte dos beneficiários, pois não havia por parte dos empregadores oposição a que aqueles, quando doentes, ali se deslocassem, a verdade é que as grandes alterações verificadas na banca, principalmente a redução de pessoal, em especial nas agências, veio colocar dificuldades de acesso de muitos beneficiários aos postos médicos internos, o que levou a que muitos dos associados abandonassem o SBN. Havia que pôr cobro a isso. E o melhor meio que a Direção encontrou – com base, aliás em exemplos noutros sindicatos do setor –, foi alargar esse âmbito, através de um contrato com a AdvanceCare, que colocou à disposição dos beneficiários do SAMS um leque muito alargado de prestadores de cuidados de saúde – todos quantos faziam parte do seu quadro de prestadores, independentemente da área geográfica em que se localizam.

Infelizmente, a parceria, por qualquer motivo, não resultou no esperado pela Direção, pelo que esta, juntamente com o Conselho de Gerência do SAMS, está a desenvolver um processo de reestruturação, no sentido da retoma das ligações diretas com os prestadores de serviços de saúde, agora num âmbito alargado.

Por outo lado, a implantologia dentária tem sido um grande sorvedouro de recursos, não satisfazendo os beneficiários, que se queixam de baixas comparticipações.

Também neste campo a Direção se mantém atenta e provavelmente durante o ano de 2020 o SAMS/Norte abrirá um serviço próprio: “Louve- se esta atitude da Direção, que se mantém atenta aos problemas dos associados, aconselhando-a, se nos é permitido, a prosseguir no caminho trilhado.”

Estatutos

Quem não se recorda da recente tentativa da tão desejada constituição de um sindicato nacional do setor financeiro?

Foi, inclusive, aprovada pelas cinco direções dos sindicatos da Febase uma proposta de estatutos…

Porém, no momento da concretização de tal desiderato, o SBN foi confrontado com o “desejo de um desses sindicatos se sobrepor a todos os restantes, tentando pura e simplesmente absorvê-los, apropriando- -se assim de todo o património de que aqueles são proprietários”.

Tal situação levou a que o SBN consultasse os seus associados sobre se devia ou não continuar com esse processo: “Do resultado do referendo, todos nós nos lembramos…”

Acontece que “os outros quatro sindicatos se propõem continuar com esse processo”, alargando o seu âmbito a todo o território nacional (incluindo, como é óbvio, a área geográfica do SBN).

Porque “quem não se sente não é filho de boa gente”, como diz o povo e com razão, “deve o SBN precaver-se para qualquer ataque nesse sentido e preparar-se para uma resposta coerente e eficaz, caso essa ameaça se venha a concretizar”.

Deve, por isso, dar seguimento ao trabalho da comissão de revisão estatutária criada no âmbito do Conselho Geral para terminar a proposta pré-elaborada, para que possa ser apresentada ao próximo Conselho Geral: “O SBN, não deve ser o atacante, mas muito menos a vítima”.




Guerra Fonseca: situação da contratação

Coube depois a vez de Guerra Fonseca, coordenador do pelouro de Contratação Coletiva do SBN fazer uma comunicação sobre a área por que é responsável, passando em revista as situações já citadas e referentes ao Millenium, ao BCP, na APB, no Eurobic, na CGD e nas CCAM. Relativamente ao que referiu, sublinhou que no SBN “estamos todos em sintonia e trabalhamos para tentar recuperar alguns dos direitos perdidos desde 2016, como por exemplo as promoções obrigatórias, o prémio de antiguidade, além da mobilidade geográfica e outras cláusulas, enquanto estamos empenhados em tentar recuperar o poder de compra, que temos vindo a perder desde 2010 e que até ao momento ronda os 10% da inflação acumulada”.

Adiantou também que os bancos “se fazem assessorar pelos melhores advogados, nas mesas em que estamos a participar”.

Maria da Graça foi a congressista que falou a seguir, tendo utilizado uma parábola, no sentido de incentivar à participação de todos nas respostas aos novos desafios.




Gabriel Costa: desafios ao sindicalismo

O orador seguinte foi Gabriel Costa, que elencou os principais obstáculos e desafios colocados hoje ao sindicalismo: dispersão e localização dos pontos de conflito, o que prejudica a mobilização para a ação; crescimento do poder económico e financeiro, em detrimento do poder político; dificuldade na análise das evoluções estruturais e organizacionais; atraso na resposta a problemas fundamentais, como é o caso do aumento da esperança média de vida; imigração; aumento e exigência de novas competências; dificuldades no rejuvenescimento e na renovação dos sindicalizados; relações entre sindicatos cada vez mais marcadas por um modelo de conflito pluralista e competitivo; crescente retirada de poder ao movimento sindical, de forma a poderem ser implementadas lógicas neoliberais, o que tem levado à constante flexibilização dos contratos de trabalho; imagem negativa sobre os sindicatos que é transmitida sobretudo pela comunicação social, na medida que são apresentados como um entrave ao desenvolvimento económico, não obstante terem todo o interesse em fomentar o desenvolvimento das empresas, para que possam proporcionar melhores condições de vida aos trabalhadores.

Gabriel Costa enunciou depois as principais dificuldades com que se depara atualmente o movimento sindical: surgimento das multinacionais, que desregulam o mercado de trabalho; conjuntura económica do país e globalização; desvalorização do trabalho; baixas taxas de sindicalização; transformação do ciclo de vida dos trabalhadores; boicote à negociação; envelhecimento dos trabalhadores; defesa do individualismo por parte das instituições empregadoras; deficientes condições de trabalho.

Sobre a negociação coletiva, disse existirem atualmente algumas condições que criam obstáculos e a dificultam, tais como as alterações organizacionais e tecnológicas conduzidas unilateralmente pelo poder económico e financeiro, que alteraram as formas de prestação de trabalho e tornaram mais difícil o espaço de definição de funções, categoriais e profissões; deslocalização das empresas e dos diversos serviços, bem como as múltiplas formas de contratação que isso trouxe consigo; precariedade crescente dos vínculos de emprego; desemprego e proliferação de ameaças sobre o emprego; desequilíbrio de poderes entre capital e trabalho.

Acrescentou, a seguir, que a flexibilidade no trabalho vai ser um aspeto fulcral na luta dos trabalhadores, por ter uma dupla consequência: se, por um lado, elimina a rigidez, acabou também por enfraquecer os laços no mercado de trabalho, o que teve como consequência o amortecimento da capacidade reivindicativa, facilitando os despedimentos; oscilação no valor dos salários e expansão do horário de trabalho, tanto a tempo parcial, como a tempo inteiro.

No que respeita à influência dos sindicatos na vida dos trabalhadores, Gabriel Costa apontou essencialmente alguns pontos: disponibilização de informação sobre os direitos e importância do apoio jurídico sempre que é necessário resolver algum problema; negociação coletiva, no sentido da melhoria das remunerações, das carreiras e das condições de trabalho; mobilização para a luta social, com o objetivo de fomentar o espírito reivindicativo e alteração de mentalidades, apelando para o coletivo, numa sociedade profundamente individualista.

Seguiu-se João Pires, com um resumo da história do movimento sindical, para acrescentar que no balcão onde trabalha foi revelado que os robôs já executam cinco vezes mais operações diárias do que os trabalhadores, no apoio aos clientes.

Perguntou-se, em consequência, sobre qual o rumo que a banca tomará, uma vez que continua a reduzir pessoal e estruturas, o que poderá determinar, a prazo, o futuro da profissão de bancário.

Num outro aspeto, salientou que hoje quem entra para a banca não percebe para que servem os sindicatos, pelo que estes terão de se reorganizar e de redefinir as suas funções.

Debruçou-se, depois, sobre a problemática constituída pelos novos players que se introduziram no mercado e que competem com a banca tradicional. Nesse aspeto, recomendou que os sindicatos intervenham no sistema individual de avaliação de desempenho, uma vez que o atual só serve para desmotivar, desanimar, discriminar e ameaçar os trabalhadores

Por último, recomendou o aumento de esforços para se incrementar a literacia financeira.

A intervenção de Joaquim Machado ficou marcada por dois momentos: a conveniência de se ir buscar novos sindicalistas e a proposta de se pôr fim aos acordos de empresa.

Seguiu-se Margarida Alves, que exortou à prática de um trabalho mais profícuo por parte dos delegados sindicais.

A encerrar o Congresso, Mário Mourão considerou que “saímos daqui mais ricos e ainda mais identificados com a classe”. A terminar, disse: “Os dividendos que os bancos geram têm de contemplar os trabalhadores: não há banca sem os trabalhadores bancários.”

     
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