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UGT comemora em Pinheiro Manso os 41 anos de existência

Fernando Faria de Oliveira (presidente da Associação Portuguesa de Bancos), Hélder Rosalino (administrador do Banco de Portugal) e Nuno Amado (presidente do Conselho de Administração do Millenium BCP) foram os oradores convidados para uma conferência em Pinheiro Manso – Residência Sénior com que a UGT comemorou em 28 de outubro o 41º aniversário. A sessão foi moderada pelo jornalista da RTP Fernando Ramos e subordinou-se ao tema “O setor bancário em Portugal e na Europa: perspetivas e realidades, presente e futuro”.

Depois do anfitrião do evento – Mário Mourão, presidente do SBN – ter saudado os presentes e agradecido a sua participação, Faria de Oliveira sublinhou que quase todas as previsões sobre a atividade bancária dizem que o atual modelo vai terminar, provocando uma crise, a que se surgirá um ressurgimento, feito de outros modelos.

Salientou que a banca ainda tem grandes problemas, como o da regulação do sistema, e que para garantir o futuro é necessário aumentar a rendibilidade, uma vez que presentemente vive um momento de excesso de liquidez.

A seguir, o presidente da APB referiu não acreditar que se repita a situação do novo banco, mas que as condições em que foi vendido levam a crer que ainda poderá ocorrer durante dois anos um esforço do Fundo de Resolução.

Hélder Rosalino começou por recordar que a crise foi um fenómeno à escala global, tendo começado nos Estados Unidos, e que a arquitetura da supervisão e da regulação não estava preparada para enfrentar os problemas daí resultantes.

Disse ainda que os bancos estão hoje muito mais resilientes e preparados para enfrentar eventuais situações mais ou menos semelhantes que possam ocorrer e que tem havido um fortíssimo investimento na área da regulação prudencial.

Acrescentou que as regras europeias de regulação são diferentes e mais abrangentes do que as que foram aplicadas naquela altura e que a CGD e o BCP pagarão quase 40 por cento da fatura da solução encontrada para o Novo Banco, não sendo bom beneficiar o infrator.


Intervenção no NB protegeu banca e depositantes

Hélder Rosalino manifestou depois a opinião de que a intervenção no NB foi no sentido de conter problemas ainda mais graves, evitando assim um efeito sistémico e protegendo o sistema bancário e os depositantes.

Nuno Amado prognosticou que vai haver uma nova crise, porque o ciclo económico não é uma linha contínua, mas concordou com o facto de os bancos estarem mais bem preparados, com mais capital, mais liquidez, melhor governo e interpretando melhor os riscos da concessão de crédito, e garantiu que o endividamento português está muito próximo do que se passa no resto da Europa.

Faria de Oliveira fez lembrar que a banca é absolutamente essencial para assegurar a estabilidade financeira e referiu não haver ainda a possibilidade de saber quais as consequências das novas operadoras que vão aparecendo fora do sistema. Adiantou que, entretanto, os bancos tradicionais têm de aumentar o desenvolvimento tecnológico, para poderem estar ao nível das fintechs, a par de “uma absoluta necessidade de formação, qualificação e sobrequalificação dos bancários para poderem concorrer no futuro no mercado de trabalho do setor”. Por outro lado, enfatizou que a literacia financeira é uma prioridade que tem de começar nas escolas.

Prosseguiu, afirmando que os bancos vão continuar a manter agências, “com reduções por causa dos desafios da digitalização”, ao mesmo tempo que “vão ter de ser desenvolvidos novos talentos e novas capacidades, inclusive no caso da cibersegurança.

E terminou esta fase com uma recomendação: “Os trabalhadores bancários têm de perceber o que é a banca digital, mas têm de manter a capacidade de manter os clientes e de captar outros.”

Nuno Amado concordou, referindo que a banca vai ter de evoluir, face aos novos concorrentes no plano digital, até porque “os processos que eram feitos por nós passam a ser feitos por máquinas, com mais eficiência”. Assim, as tecnológicas de grande dimensão utilizarão inteligência artificial.


Grandes concorrentes forçam alterações

Hélder Rosalino confirmou que o sistema bancário está a alterar-se de forma muito significativa, com o aparecimento de grandes concorrentes – o que faz alterar o sistema de valor de forma muito marcante – e com o surgimento de novas realidades, uma vez que os novos concorrentes aparecem com custos muito menores.

Acrescentou que a inovação não se regula a priori: está sempre a priori. Por isso, se a regulação condicionar em excesso a inovação, limitá-la-á muito, alertando para a circunstância de os novos operadores tecnológicos captarem franjas do sistema bancário, em benefício dos consumidores.

Nuno Amado aproveitou para intervir, exprimindo a convicção de que uma entidade que não concede créditos e que não tem depósitos, carece de uma regulação completamente diferente.

Faria de Oliveira confirmou que o aparecimento destas novas entidades provocará alterações muito significativas para os bancos tradicionais e para a regulação, provocando problemas aos políticos e aos reguladores para assegurarem que a concorrência seja sã e leal e para que não ponham em causa a estabilidade financeira. De resto, a nível mundial um terço do crédito já é concedido fora do sistema bancário, não sendo apenas um problema de supervisão, mas também de concorrência e de privacidade de dados.

Hélder Rosalino rematou esta ideia, sublinhando que toda a atuação das autoridades tem de ser a favor dos utilizadores dos serviços financeiros.

Nuno Amado adiantou, por último, que “o nível das taxas de juro é fundamental para tudo quanto aqui se falou”. E precisou que “é necessário um novo macroentendimento com os sindicatos e os trabalhadores, para acrescentarmos valor às empresas, porque os direitos e os deveres têm de andar em paralelo – e esse acordo deve ser firmado rapidamente, porque o futuro vem aí a passos céleres”.

     
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