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Reflexão sobre a diabetes

Por Baldaque Faria, médico


Vamos abordar, de forma simples e resumida, alguns aspetos ligados à diabetes mellitus tipo 2, a mais comum de todas as formas (80 a 90%). Estima-se que a incidência entre nós seja da ordem dos 12% (cerca de 900 mil casos), apesar de apenas 500 mil estarem diagnosticados. Se juntarmos a estes números o universo dos pré-diabéticos (1.800.000), então teremos uma ideia da dimensão da doença entre nós. A pré-diabetes, tal como a designação deixa entender, considera-se uma fase que antecede a diabetes e que na maioria das vezes evolui para tal situação. Pode manifestar-se como um aumento da glicose em jejum como uma diminuição da tolerância à glicose. Em qualquer das situações, os valores das glicemias no sangue excedem os valores máximos de referência para a população normal, sem atingirem, contudo, os valores encontrados para diabéticos. Na diabetes tipo 2, a par da herança genética, o estilo de vida é determinante, na esmagadora maioria dos casos, para desencadear a doença. Na verdade, a insulinorresistência presente nesta situação está muito relacionada com o excesso de peso destes doentes, enquanto uma deficiência relativa, com consequente menor eficácia da insulina, está ligada a fatores hereditários. Trata-se de uma doença de evolução silenciosa, sem sintomatologia durante anos, revelando-se algumas vezes pelo aparecimento de complicações tardias, explicando-se assim os muitos casos que ficam por diagnosticar. O tratamento da doença assenta fundamentalmente em três pilares: corrigir os hábitos alimentares, contrariar o sedentarismo e aplicar terapêutica medicamentosa complementar. A implementação das duas primeiras medidas em todas as fases da vida, nomeadamente nos indivíduos com história familiar da doença, conduz com frequência à prevenção, mas quase sempre ao retardamento da doença e à menor agressividade. É, pois, de enorme relevância a observação de regras alimentares e a prática regular de exercício físico, que levem à correção do excesso de peso e ao bom controlo dos níveis de açúcar. A alimentação do diabético não é muito diferente da alimentação racional da população em geral. Quase todos os alimentos são permitidos, só que em diferentes proporções, com frequências variáveis e devidamente integrados no conteúdo de cada refeição. Todas essas instruções tem o diabético a possibilidade de as adquirir na consulta de nutricionismo e no médico. A atividade física, feita moderadamente e com regularidade, é igualmente uma medida terapêutica de enorme importância. Sempre que possível, uma caminhada em plano, de cerca de três quilómetros, sem paragens (aproximadamente três quartos de hora), é tudo o necessário em termos de exercício físico. A alternativa poderá passar pela frequência de ginásio, piscina ou outra prática desportiva, dependendo a opção da preferência de cada um, da idade ou da disponibilidade. Pequenos gestos quotidianos, como não usar o elevador para subir um ou dois andares, estacionar o carro a umas centenas de metros do local de trabalho, ou sair uma paragem antes do autocarro, são igualmente importantes.

Como explicar o crescente aparecimento de diabetes tipo 2 em grupos etários em que até há pouco era impensável? Estamos a falar nos jovens em idade escolar. Na verdade, são cada vez mais frequentes estas situações naquelas idades, para o que contribui com certeza a menor atividade física e o abandono de regras importantes da alimentação tradicional. Após a leitura atenta deste texto, concluiremos quão importante é o nosso comportamento no aparecimento e na evolução desta e de tantas outras doenças.

     
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