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Home»Nortada»Nortada Detalhe Novembro e Dezembro 2019
 
À beira-rio

Sílvio Martins


Sento-me à beira do rio

E vejo fugir de mim

Sua túrbida corrente.

Sento-me e fico assim...

Parado a olhar para as águas

Desse rio indiferente

Ao peso das minhas mágoas.

A água que passa não sabe

Sequer da minha existência

Bem junto do seu passar,

Nem que esta permanência

Solitária à beira-rio,

É outra forma de errar

Do meu espírito vadio.

E, assim, o meu pensamento

Se vai deixando arrastar,

Derivando na corrente

Sem um cais onde aportar

- Canoa já sem comando,

Com piloto incoerente,

Ao lume d’água vogando.

Neste puro devaneio

Em que me deixei prender,

Do real já desligado,

É-me impossível saber

Se estou feliz, se estou triste,

A sonhar ou acordado,

Ou mesmo se o rio existe.

     
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