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72ª caminhada: “Em defesa da Serra d’Arga”

Foi promovida, em 27 de julho, a 72ª caminhada “Põe-te a andar, pela tua saúde…”, na freguesia da Montaria, em Viana do Castelo, num percurso pedonal de âmbito desportivo, ambiental, panorâmico e cultural, pelos caminhos da Serra d’Arga, com dificuldade média/alta e uma distância aproximada de oito quilómetros, onde os caminhantes puderam disfrutar de uma paisagem única e de um ambiente relaxante, que mais parece um paraíso.


Serra d’Arga


A Serra d’Arga, situada no distrito de Viana do Castelo, é um local mágico e apaixonante, um espaço natural de grande valor ecológico, fruto do elevado grau de conservação da natureza e biodiversidade, estando, por isso incluída na rede europeia Natura 2000.

Situada entre os vales dos rios Lima e Coura, ergue-se num imponente bloco granítico com mais de oitocentos metros de altura, cujas vistas para qualquer direção são magníficas. Ao granito junta-se a beleza das águas das sete lagoas, mas também o verde do Pinhal da Gelfa e da Mata Nacional do Camarido.

É um combinado de interessantes elementos do património natural, etnográfico, histórico e cultural, fortemente relacionado com o homem, com os habitantes no presente e no passado. É pois, um ponto de paragem obrigatório para o mais exigente dos exploradores. Fazendo jus ao apelo “Põe-te a andar pela tua saúde…”, associados e familiares percorreram assim trilhos na Serra d`Arga, com início na Montaria, freguesia de Viana do Castelo. Estava um dia outonal. Esta particularidade meteorológica para o mês de julho permitiu perceber porque lhe chamam Montanha Sagrada.

No percurso com cerca de dez quilómetros foi possível apreciar o espaço natural de grande beleza e valor ecológico, onde por baixo dos pés, para além do magnésio, se esconde um tesouro que está a atrair várias empresas estrangeiras, designadamente o lítio, chamado “petróleo branco”, mas que tantas preocupações e receios inflige às populações locais. Com a subida percebe-se que a austeridade rochosa tomou conta das encostas, pois a vegetação passa a ser exclusivamente rasteira, enquanto no fundo dos vales prevalecem aglomerados verdejantes.

No regresso, com o Âncora por vizinho, observa-se a água a correr sobressaltada pelas rochas que aqui e ali formam lagoas, seguindo nervosa em redemoinhos sobre um fundo de seixos em direção ao Atlântico ali tão perto.

Da parte da tarde, após o almoço, nova caminhada, desta vez percorrendo um trilho costeiro entre Vila Praia de Âncora e Caminha, pelo verde da Mata Nacional do Camarido. Depois, surge a vila de Caminha através do antigo Caminho de Viana, hoje Rua dos Pescadores, de casario baixo e típico, destacando-se a Capela de Nossa Senhora da Agonia.

No centro histórico de Caminha decorria a feira medieval, transportando para uma atmosfera própria daquela longínqua época. Ali se encontra a Torre do Relógio, que testemunha a antiga cerca ovalada (a Porta Nova, construída aquando da passagem de dois irmãos de D. João III em peregrinação a Santiago), o chafariz de cantaria do século XVI, a Casa dos Pittas, de traça gótico-manuelina tardia, a Igreja da Misericórdia, em estilo renascentista e barroco, e as antigas casas burguesas da Rua do Vau. Percorre-se a Rua Direita, ou dos Meyos, eixo vertebral do amuralhado medieval, encontrando-se o núcleo edificado mais antigo de Caminha. O términus é na imponente Igreja Matriz, cuja construção se iniciou em 1488, no reinado de D. João IV. Tudo isto na companhia de jograis, trovadores e sob o olhar atento de falcões e corujas.

     
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