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Direito à manifestação pública da indignação

Por João Paulo Pires

Manifestação dos bancários no Tagus Park, frente à Assembleia Geral Anual de Acionistas do Millennium BCP

Os anos de crise terminaram. O Millennium BCP já regressou aos lucros e à distribuição de dividendos, mas os trabalhadores continuam esquecidos desde 2010.
Desta vez, o descontentamento e o desalento dos trabalhadores, fez- -se ouvir frente à Assembleia Geral de Acionistas no Tagus Park.
Reuniu bancários de todo o país, no ativo e reformados, mostrando sua força através dos sindicatos que organizaram esta manifestação, o SBN, o SNQTB e o SIB. Também estiveram presentes o SBSI e o SBC. A manifestação decorreu num ambiente de protesto, música, balões gigantes, cabeçudos e bombos.
Porque o sucesso do Millennium bcp não deve encontrar respaldo na precariedade dos seus trabalhadores, com cortes e ausência de atualização da tabela salarial, os bancários decidiram manifestar o seu descontentamento publicamente.
Agora é fundamental recuperar e garantir a liberdade e direitos do coletivo.
Coletivo que é esta equipa composta por cerca de 7.100 trabalhadores no ativo. A esta causa juntaram-se os trabalhadores de outros bancos, num acto de solidariedade, mas também sabendo que só assim toda a classe pode ser representada.
Se houve um corte salarial porque não acontece a sua devolução? Por que razão decidiu chamar “compensação” à devolução dos valores retidos?
Foi neste ambiente de reivindicação organizada que decorreu a manifestação à porta da Assembleia Geral de Acionistas, onde os trabalhadores, envergaram vestuário negro com a frase ”0% de aumento? Não Obrigado!”, demonstraram a sua indignação, quanto ao impasse nas negociações, devolução dos valores retidos, negociação da tabela salarial e revisão do ACT, para trabalhadores no ativo, reformados e pensionistas.
Os trabalhadores do Millennium/BCP exigem a devolução na íntegra dos valores retidos entre 2014 e 2017 e a revisão da tabela salarial para todos (ativo, reformados e pensionistas). É notória a perda do poder de compra, ao longo da última década, face à estagnação da tabela salarial por um lado e ao efeito da inflação por outro.
O presidente da comissão executiva, Dr. Miguel Maya, afirmou no final da assembleia de acionista, que ainda não foi possível chegar a acordo com os sindicatos, mas que foi aprovada a “compensação” de 1/3 do valor retido, sendo que pelo menos será devolvido 25% do valor retido, sendo variável de acordo com os escalões de retribuição. No entanto sublinhou que a remuneração variável dos administradores, não ficará disponível, até ocorrer a totalidade da devolução dos valores retidos. Afirma ainda que vai discutir com os sindicatos como vai ser feita essa devolução.
Os sindicatos fazem questão de corrigir a “compensação” para devolução dos valores retidos e reclamam a devolução incondicional e imediata na sua totalidade, tendo entregue carta à administração, no decurso da assembleia geral, com pedido de devolução total e imediata dos valores retidos.
Não foi ainda alcançado acordo para a revisão da tabela salarial relativa a 2018 e a recuperação de direitos perdidos no ACT, durante o período de crise, que já terminou, continuando a decorrer negociações, que se espera sejam breves.

     
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