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0% de aumento? Não, obrigado!

O SBN (que se fez representar por cerca de seis centenas de trabalhadores e dirigentes sindicais), o SNQTB e o SIB realizaram, no dia 22 de maio, uma manifestação conjunta, a que se juntaram o SBSI e o SBC, frente à sede do BCP, no Tagus Park, em Oeiras – onde decorria a assembleia geral anual de acionistas –, reivindicando um aumento salarial e das pensões de reforma e de sobrevivência relativos a 2018 e a reposição das remunerações retidas – no valor de doze milhões de euros entre 2014 e 2017 – e sublinhando que tais devoluções jamais podem ser consideradas como prémios.

O SBN (que se fez representar por seis centenas de trabalhadores e dirigentes sindicais), o SNQTB e o SIB realizaram, no dia 22 de maio, uma manifestação conjunta, frente à sede do BCP, no Tagus Park, em Oeiras – onde decorria a assembleia geral anual de acionistas –, reivindicando um aumento salarial e das pensões de reforma e de sobrevivência relativos a 2018 e a reposição das remunerações retidas – no valor de doze milhões de euros entre 2014 e 2017 – e sublinhando que tais devoluções jamais podem ser consideradas como prémios. Isto após o regresso do BCP aos lucros. De resto, o carro de som que acompanhou a marcha dos manifestantes, desde a sua concentração, permitia tirar claras ilações, ao proclamar que “os trabalhadores do Milleniumbcp exigem o que é deles por direito”. Além disso, segundo declarou à Lusa o presidente do SBN, Mário Mourão, “no ano passado o BCP não se coibiu de pôr 4,9 milhões no Fundo de Pensões, para administradores”.
A palavra de ordem inscrita nas camisolas e nos bonés dos manifestantes era, só por si, bem eloquente sobre o propósito daquela iniciativa: “0% de aumento? Não, obrigado!” E duas faixas acrescentavam, elucidativamente: “Para administradores, milhões; para trabalhadores, tostões” e “Até quando não serão pagas as horas extraordinárias no BCP?”. Para animar, música, balões, gigantones, cabeçudos e bombos.
Como nota de reportagem, registe-se uma situação reveladora do espírito de muitos trabalhadores daquele banco. É que, já perto do destino, ao passarem por um parapeito onde se encontravam colegas da mesma instituição, manifestantes houve que lhes distribuíram camisolas alusivas ao evento. E, enquanto uns fingiam que não era nada com eles (medo que os chefes retaliassem? – perguntou-se o repórter), outros aceitavam-nas mas disfarçavam como podiam (mais corajosos – continuava o repórter a cogitar), uma minoria aceitava-as e fazia-as adejar ao vento.
Por outro lado, enquanto alguns acionistas viravam a cara, à chegada – quiçá para não se impressionarem demasiadamente com a talvez inesperada mole de manifestantes – outros não disfarçaram a curiosidade e assomaram-se ao muro superior que “protegia” a entrada para as instalações da instituição. O certo é que uns e outros, mais uns do que outros, é certo, não puderam deixar de se aperceber (a contragosto? – insistia o repórter) da enorme moldura humana proporcionada pelos bancários em protesto, a que se juntaram o SBSI e o SBC.


Entregada carta à administração

A dado passo, os presidentes do SBN (Mário Mourão), do SNQTB (Paulo Marcos) e do SIB (Fernando Fonseca), conseguiram dirigir-se à sala onde decorria a assembleia, tendo entregado a seguinte carta, dirigida ao presidente do Comité Executivo do BCP:“Os três sindicatos signatários sentem-se pressionados pelos trabalhadores e pelos reformados e pensionistas, a encontrar respostas para as reivindicações que noutras comunicações já transmitimos a V.Exa.
“Continuamos a querer privilegiar, como sempre, o diálogo, a negociação e os entendimentos possíveis.
“Porém, as expetativas criadas e não satisfeitas justificaram a manifestação pública hoje promovida.
“Em resumo, e repetindo o que já expressamos anteriormente, o que se exige é: a) o pagamento imediato de aumentos relativos a 2018 para os trabalhadores no ativo, reformados e pensionistas, tal como sucedeu para os maiores bancos de Portugal, por efeito do respetivo ACT geral; b) a garantia da revisão do ACT, para recuperação de direitos e reposição do poder de compra; c) a devolução incondicional do valor total global acumulado pelos cortes salariais de 2014 a 2017. “Os três sindicatos signatários reiteram total disponibilidade para, em diálogo e negociação coletiva, ser dada, com a maior urgência possível, satisfação às referidas pretensões reclamadas justamente pelos trabalhadores, reformados e pensionistas que representamos.”
Foi, afinal, o culminar de uma gigantesca manifestação que conglomerou, pela primeira vez em mais de quatro décadas de democracia, todos os sindicatos representativos da banca, juntamente com a coordenadora da Comissão de Trabalhadores e as comissões sindicais do BCP, a nível nacional.


Sindicatos exigem respeito ao BCP

Como é referido noutro local, a proposta inaceitável da administração do Milleniumbcp em recusar atualizar as tabelas salariais teve como resposta a realização da enorme manifestação de bancários, numa veemente ação de protesto.
Os sindicatos manifestaram-se, assim, unidos num propósito comum: o de dignificar as várias categorias profissionais dos bancários – os mesmos que, ativos e reformados, de todas as idades, provenientes de todo o país, encheram a avenida de acesso ao Tagus Park, numa expressiva manifestação de unidade e força. Por outras palavras: os bancários demonstraram querer todos os sindicatos unidos na defesa dos seus interesses, numa altura em que vários outros bancos, congregados no ACT da APB, às propostas fundamentadas para atualização do clausulado do acordo coletivo de trabalho responderam que nada querem mudar, que não querem incorporar os temas do assédio moral, do direito a desconexão, de um regime de faltas mais generoso em caso de doenças oncológicas, crónicas e degenerativas, da reposição das promoções por antiguidade, das unidades móveis – realidade emergente –, da possibilidade de os trabalhadores se fazerem acompanhar por advogado na fase de inquérito de processos disciplinares, da consideração da remuneração mensal efetiva como conceito crucial de atualização salarial. Enfim, nada querem.
Como se isso não bastasse, propõem uma atualização de salários e demais cláusulas pecuniárias de 0,5% para 2019.
Desta forma, ainda não perceberam a mensagem da manifestação no campus do Tagus Park: que o tempo da desconsideração pelo trabalho dos sindicatos e dos bancários acabou, que nenhum sindicato se atreverá a assinar um acordo abaixo da inflação, que nenhum sindicato deixará de estar à altura das responsabilidades e do sentimento dos bancários, que é tempo de partilhar de forma mais justa os ganhos da banca.

MAIS UMA VITÓRIA A FAVOR DE UM ASSOCIADO

SBN ganha ação judicial em Bragança

O Juízo do Trabalho do Tribunal Judicial da Comarca de Bragança deu razão em sentença a um associado da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Bragança, em processo judicial entre aquele e a Caixa, que foi condenada, e ao que interessa na ação em causa, na integralidade do pedido.
Na próxima edição da Nortada daremos informação circunstanciada sobre o processo.

     
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