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É urgente que se pare com a tendência de perdas de direitos dos bancários

"... preparemo-nos para um futuro em que a cooperação entre os sindicatos vai ser fundamental..."


Guerra da Fonseca

“há que definir quais as matérias em que se deve iniciar a recuperação possível e a melhoria das condições de trabalho“

No final de 2017, escrevi um artigo neste mesmo local sobre a questão fundamental que os sindicatos têm que abraçar, ou seja: a reversão da perda de direitos dos bancários.
Como todos sabem, estas perdas começaram no período de crise dos bancos entre 2013 e 2016, em que praticamente todos as instituições apresentaram prejuízos avultados.
Além de não haver aumentos salariais neste período, aplicaram-se também cortes nos salários dos trabalhadores; fecharam-se centenas de balcões em todos os bancos; efetuaram-se, impuseram-se, milhares de rescisões (as chamadas de mútuo acordo), para além de muitas outras decisões que apenas beneficiavam as instituições de crédito.
Os sindicatos, nessa altura, foram sensíveis a esta crise que a todos afetou.
E o que fizeram as instituições de crédito?
Ao invés daqueles, sem ter em consideração a sensibilidade demonstrada pelos sindicatos, e a coberto da crise, ameaçaram os trabalhadores com a caducidade do acordo coletivo de trabalho e a aplicação, pura e simples, do Código do Trabalho, muito mais penalizador para todos, forçando os sindicatos a uma negociação que eles conseguiram arrastar durante quatro longos anos. Tudo fizeram, nessa altura, através dessa “chantagem”, para dar uma machadada nos direitos e regalias que os trabalhadores, através dos seus sindicatos, tinham conseguido e conquistado ao longo dos anos. E conseguiram!!!…
Chegou a hora de dizer basta!
Estas perdas não são, nem podem ser, irreversíveis! Tem que haver reversão!
Nesse sentido, é importante que todos saibam que o Grupo Negociador Sindical, atualmente constituído por elementos do Sindicato dos Bancários do Norte (SBN), do Sindicato dos Quadros (SNQTB) e do Sindicato Independente da Banca (SIB), que, abrangendo todo o território, tem representação a nível nacional, trabalham em conjunto desde janeiro deste ano, com uma atuação concertada, dinâmica e muito reforçada, na intervenção junto de todas as instituições do setor bancário.
Assim, na proposta das cláusulas, de expressão pecuniária para 2019, apresentada pelo Grupo Negociador Sindical, com a aprovação das respetivas direções, foi decidido apresentar algumas alterações nas cláusulas, nas quais, foi unanimemente reconhecido, se tinham perdido alguns direitos, tais como:
•Prémio de antiguidade (prémio 15, 25 e 30 anos)
•Progressões e promoções – (incluir percentagem para garantir promoções acima do nível 9)
•Correção da retribuição base – (garantir a progressão na carreira)
•Local e mobilidade geográfica – (redução do distrito para concelho e travão acima dos 30Km)
•Avaliação de desempenho – (alterações neste sistema)
•Doença, invalidez ou invalidez presumível (anular a perda de retribuição nos 3 primeiros dias)
•Limites Gerais dos valores de empréstimo – (aumento do limite) Para além destas cláusulas, grupo negociador decidiu incluir cláusulas (novas), de incidência moral e social, como a proibição de assédio: assédio moral e assédio sexual.
O Grupo Negociador Sindical, constituído pelos 3 sindicatos, reconhece que não vai ser fácil esta reversão, mas com uma dinâmica incomensuravelmente maior e a força dos trabalhadores bancários, estamos esperançados que algo venha a mudar, para melhor. Esta é a promessa de empenho dos três sindicatos, demonstrativa de que todos queremos o melhor para os nossos associados.
Porém, tenho que deixar aqui um alerta: preparemo-nos para um futuro em que a cooperação entre os sindicatos vai ser fundamental e todos temos de estar preparados para as iniciativas que poderão ser necessárias efetuar para demover os bancos dos cortes de regalias ou de propostas de aumentos salariais insignificantes e miseráveis para quem deu sempre o melhor pelas suas instituições, ou seja, os trabalhadores!

Nos termos da lei e do estatuto editorial da revista Nortada, o editorial é da exclusiva responsabilidade de quem o subscreve, não responsabilizando, por isso, nenhum órgão do sindicato, no respeito pela independência da revista face ao poder constituído, a qualquer momento, no SBN.

     
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