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A revolução digital e os trabalhadores bancários

Por Nataniel Araújo – Coordenador da Comissão Sindical de Empresa no Novo Banco do SBN


O mundo depara-se atualmente com uma revolução cujo impacto é difícil de prever: a revolução digital. Esta é transversal a toda a sociedade e, como tal, produz alterações ao modelo laboral e social. Isso é visível, por exemplo, no aumento da individualização das relações sociais, ou da precarização laboral. Para isso muito contribui o desenvolvimento das tecnologias digitais, nomeadamente a Inteligência Artificial (IA). O seu crescente progresso irá exponenciar os efeitos da revolução digital. O agravamento das desigualdades e o consequente aumento das tensões sociais deverão ser objeto de preocupação por parte de todos nós. As transformações tecnológicas acarretam a exclusão. Foi assim com a Revolução Industrial e é agora com a revolução digital. São inúmeros os estudos realizados sobre o impacto da IA no mercado de trabalho que referem o desaparecimento de milhares de postos de trabalho. Todavia, outros empregos, outras profissões irão surgir nos diversos setores da economia. É de vital importância a qualificação e requalificação dos trabalhadores para uma melhor, e mais rápida, integração no novo paradigma laboral e social. O setor bancário está particularmente exposto à digitalização. Basta que se pense na forma como os clientes das instituições bancárias se relacionam com ela, isto é, recorrendo ao uso de Tecnologias de Informação e Comunicação como são os casos do computador, smartphone, tablet, etc. A disponibilidade de diversos serviços digitalizados vai ao encontro das necessidades da população. Esta desmaterialização é visível desde logo no dinheiro. O serviço multibanco é hoje parte incontornável da vida social e económica. Embora exista, por parte de algumas pessoas, algum receio devido a fraudes no ciberespaço, a disponibilidade de serviços financeiros a qualquer hora e a partir de qualquer local, a facilidade e rapidez da maioria das transações são exemplo da transformação digital na banca. Tudo indica que as áreas do aconselhamento e de gestão do risco sejam aquelas que futuramente conheçam mais transformações decorrentes da revolução digital. Particularmente importante em todo este processo é a forma como a IA interfere no mercado laboral. É um erro pensar-se que a introdução da IA no mercado laboral não coloca em causa apenas os postos de trabalho que exigem menores qualificações. Os profissionais altamente qualificados também estão a começar a sentir o efeito da IA nas suas profissões. O efeito da IA nas empresas já é visível no funcionamento de empresas digitais (Google, Facebook, YouTube, Amazon, etc.) nas quais para muitos trabalhadores a figura mais próxima do chefe é um algoritmo que lhes atribui tarefas e verifica resultados. Esta situação, à qual os trabalhadores bancários devem estar atentos, representa um enorme desafio em termos culturais e sociais. Mesmo a questão emocional da IA está a ser desenvolvida recorrendo a tecnologia para a automação das emoções e dos comportamentos. Esta área tecnológica é designada por lovotics – dedica- se a estudar a relação humanomáquina – tem conhecido enormes progressos nos últimos anos. Os trabalhadores deverão estar preparados para um novo tipo de interação entre eles e a IA e evitar que novas formas de opressão e exploração dos trabalhadores surjam. É necessário que em termos éticos os trabalhadores nunca estejam ao serviço das máquinas. A utilização de sistemas de IA por parte das instituições bancárias deve atender: - ao recrutamento, a avaliação e a gestão administrativa dos trabalhadores; - à saúde, segurança e melhoria das condições de trabalho; - à proteção dos deveres e das liberdades relativas ao tratamento dos dados dos trabalhadores, no respeito dos princípios da não discriminação. É preciso encontrar novas soluções, novas respostas para os novos desafios e os bancários devem ser ouvidos em todo este processo em curso presentemente. O papel dos sindicatos é essencial para que os direitos dos trabalhadores do setor bancário não sejam diminuídos.

     
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