Pesquisa

ok
Home»Nortada»Nortada Detalhe Março Abril 2019
 
Reduzir o risco cardiovascular

“Saúde é um estado de completo bem-estar físico, psíquico e social, e não apenas a ausência de doença ou debilidade.”


(OMS, 1946/1948)




Agradecendo mais uma vez à autora, embora já publicado em edição anterior e por nos parecer de muito interesse para os associados, que cada vez mais recorrem a esta consulta, relembramos os conselhos deixados neste texto.




Reduzir o risco cardiovascular


Emília Barbosa, dra. (especialista em cardiologia)




A doença cardiovascular é a principal causa de morte a nível mundial, com particular incidência nos países industrializados. É também uma das principais causas de incapacidade e de perda de qualidade de vida, com custos económicos consideráveis.


Os fatores de risco são a obesidade, a hipertensão arterial, a diabetes, a dislipidemia e o consumo de tabaco.


A OMS considera que uma ligeira redução da pressão arterial, da obesidade, do nível de colesterol e do consumo de tabaco permitirá reduzir significativamente a incidência da doença cardiovascular na população.


O objetivo da Sociedade Europeia de Cardiologia para o ano de 2008 foi o combate eficaz destes fatores de risco, em colaboração estreita com os organismos do Estado. As recomendações nesse sentido estão contidas na chamada “Carta do Coração”.


Como as crianças de hoje serão os adultos de amanhã, a prevenção deve começar na infância. A saúde do adulto reflete os hábitos alimentares e o estilo de vida.


Na infância, as atitudes são essencialmente não farmacológicas, com aconselhamento sobre a alimentação e a prática de exercício físico. A alimentação deve ser variada, com poucos elementos gordos, pouco sal e açúcar, e com mais legumes e cereais. O exercício físico deve estar sempre presente, pois favorece o crescimento harmonioso, evitando a obesidade precoce.


No adulto mantêm-se os pressupostos definidos para a criança, embora com a necessidade de correção farmacológica de fatores de risco que entretanto surgirem, como forma de evitar o aparecimento da doença cardíaca ou cerebrovascular - enfarte do miocárdio, AVC e aneurisma da aorta. A hipertensão arterial é um dos flagelos da nossa sociedade, como doença crónica multifatorial com influência genética. As estatísticas mostram em Portugal uma prevalência de 42% de hipertensos, dos quais 11% estão controlados. Na população pediátrica a prevalência é de 1 a 3%. A adesão dos indivíduos à terapêutica é fundamental para manter o bom controlo tensional e boa qualidade de vida, evitando deste modo internamentos por eventos cardiovasculares. Quanto mais cedo se iniciar a terapêutica mais fácil será o controlo da doença, com menos fármacos e, consequentemente, com menor custo do tratamento diário.


O exercício no adulto deverá fazer parte das atividades diárias, pelo menos uma hora por dia, ajustando às limitações físicas entretanto presentes. Por pouco que seja, o exercício ajuda à manutenção da saúde física e mental.


Em relação à obesidade, o caso assume importância nas mulheres, que são a maior percentagem de obesos. É neste grupo que o impacto físico da doença é mais relevante. As patologias relacionadas com a obesidade feminina são a diabetes tipo 2, a hipertensão arterial, a doença cardiovascular e a oncológica. Com o intuito de reduzir o risco, o controlo da obesidade deve ser multifatorial.


A prevenção da diabetes e a perda de peso são as condições cruciais para a redução da doença cardiovascular.


A nível europeu, considera-se esta patologia como a causa de morte mais significativa nas mulheres. Relembramos que na mulher em idade da menopausa é frequente surgirem em simultâneo diversos fatores de risco, que assumem particular importância se a mulher for fumadora. Finalmente, considera-se que vale a pena tomar uma atitude, mesmo que tardia, para melhorar a qualidade de vida e para promover a longevidade.

     
   Imprimir        Voltar        Topo
Copyright © 2007 SBN