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Põe-te a andar pela tua saúde...

66ª: Caminhar entre o mar e a literatura – da Póvoa de Varzim a Vila do Conde


Fazendo jus ao apelo “Põe-te a andar, pela tua saúde…”, no passado dia 23 de fevereiro, associados e familiares percorreram a orla marítima entre a Póvoa de Varzim e Vila do Conde, num percurso citadino e afagado pela brisa marítima.


Aquelas duas magníficas e soalheiras cidades, ambas com pergaminhos seculares, ricas de história e de património, com forte ligação marítima e vocação turística, berço de dois grandes autores da língua portuguesa, Eça de Queirós e José Régio, proporcionaram uma tarde diferente, misto de desporto e cultura.


A caminhada iniciou-se na Praça do Almada, passou na casa onde nasceu o autor de “Os Maias” e “O Crime do Padre Amaro”, apreciando o monumento erigido em 1952, da autoria do escultor Leopoldo de Almeida.


Foram visitadas a Igreja Matriz, da Misericórdia e da Nossa Senhora das Dores, apreciando os estilos neoclássico e barroco que lhes dão beleza e altivez.


Pelo meio do granito e do ferro forjado das varandas das casas, foram visualizados o Coreto Romântico e o Pelourinho. Foi percorrida a mais antiga artéria pedonal da Póvoa de Varzim, a Rua Junqueira, que faz a ligação do centro da cidade ao mar.


Tendo como companhia a estátua dedicada ao Major Mota, da autoria da escultora Margarida Santos, e ao pé da capela de S. Tiago, foi altura de degustar a famosa rabanada poveira.


O mar está sempre presente na alma do poveiro. Ele é a personagem central da cidade, que se estruturou em função da sua presença.


Os caminhantes foram então recebidos pela estátua do Cego de Maio, pescador, filho do povo, homem de grande coragem e abnegação, que arriscou dezenas de vezes a vida para salvar a dos companheiros nos perigos das duras fainas do mar. Ali mesmo ao lado, o Casino, edificado na década de 30 do século passado tendo em redor o painel de azulejos (de Fernando Gonçalves), localizado no paredão que divide o areal da praia da zona pesqueira, encontram-se a estátua de Fernando Pessoa, de autoria de Francisco Simões, e o Monumento ao Pescador, de João Cutileiro. A robusta Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição e os monumentos à Mulher Poveira e a S. Pedro, obra de Jaime Azinheira, mostram a preocupação dos locais em homenagear personagens que lhes são queridas.


Seguiu-se a moderna marina, onde está ancorada a famosa “Lancha Poveira”, bem perto da curiosa Igreja de Nossa Senhora da Lapa, com o farol embutido e o painel invocativo da grave tragédia de 27 de fevereiro de 1892, que marcou profundamente a comunidade e os seus costumes.


A marginal levou os caminhantes a Vila do Conde. Chegados às Caxinas, local que une as duas cidades, zona piscatória carregada de tradições, passaram pela igreja-barco de Nosso Senhor dos Navegantes e pelo extraordinário conjunto escultórico em bronze, da autoria dos irmãos Carlos, Eduardo e Ramiro Bompastor, artistas plásticos vilacondenses, dedicado à bravura e ao engenho dos pescadores locais. Amaciada pela brisa marítima, a caminhada continuou até ao Forte de São João Baptista, também referido como Castelo de Vila do Conde e Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, localizada na foz do Rio Ave, mesmo ao pé do monumento evocativo da primeira tentativa de desembarque da esquadra liberal de D. Pedro, e à Ermida de Nossa Senhora da Guia.


Deixando o mar para trás, entra-se na zona ribeirinha, com o Ave por parceiro. A Fábrica da Seca do Bacalhau, o Relógio de Sol, a Alfândega Régia, a Capela de Nossa Senhora do Socorro e a extraordinária Nau Quinhentista deram as boas vindas.


Por fim, foi tempo de retemperar forças e, ao som do fado, aconchegar o corpo com os petiscos da “Badalhoca do Fredo”.

     
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