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Tempo para reflexão e bom senso

Por Firmino Marques (diretor da Nortada)



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É com alguma tristeza e nostalgia que constato o cada vez maior distanciamento entre sindicatos que ao longo de oitenta anos, apesar das contrariedades que lhes foram impostas pelo regime torcionário que governou o País durante quase metade da sua existência, sempre souberam convergir nos métodos, lutas e ações consideradas o melhor para o setor.


Poderia haver diversas formas de pensar, divergências sobre o que melhor se adequava à luta no momento, mas no final prevaleciam sempre a unidade e o bom senso, independentemente da representatividade de cada um dos sindicatos em número de associados ou em poder económico.


Ora, o bom senso foi quebrado no processo de constituição de um sindicato nacional do setor financeiro.


E porque “quem não se sente, não é filho de boa gente”, reconheço que, face às condições criadas por esse malfadado processo e às atitudes – legítimas, mas pouco solidárias – assumidas por parte de alguns sindicatos apoiantes do mesmo (que representaria a “união do setor financeiro”), nada mais restava ao SBN do que assumir um caminho que, no seu entender, perante a esmagadora decisão tomada pelos associados na Assembleia Geral e face à tentativa de isolamento que lhe quiseram impor – não esqueçamos que até foi suspensa toda a atividade da Febase – melhor pode servir a defesa dos interesses dos trabalhadores que representa.


“O caminho faz-se caminhando” e como, isoladamente, o caminho se torna mais difícil de percorrer com o êxito desejado, o SBN encontrou parceiros que, embora há muitos anos de costas voltadas, se predispuseram a trilhar esse percurso, que lhes é comum. E o resultado não tem sido desolador! Pelo contrário, tem-se manifestado benéfico para os associados dos três sindicatos e, porque não dizê-lo(?), para o setor bancário.


Mas, segundo José Luís Borges, in Ensaio do Tempo, “O presente contém sempre uma partícula do passado e uma partícula do futuro e isso parece que é necessário ao tempo.”


Para reflexão, termino com um poema de Sophia de Mello Breyner. “Tempo de solidão e de incerteza / Tempo de medo e tempo de traição / Tempo de injustiça e de vileza / Tempo de negação / Tempo dos coniventes sem cadastro / Tempo de silêncio e de mordaça / Tempo onde o sangue não tem rasto / Tempo de ameaça”.

     
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