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A unidade e a coesão reforçam a paixão dos fortes - sublinhou Carlos Silva

Em 27 e 28 de outubro de 1978, na sala do cinema Lumiar, em Lisboa, 47 sindicatos (8 dos quais com estatuto de observador) aprovaram a declaração de princípios e os estatutos da UGT, tendo o congresso fundador sido realizado na cidade do Porto em 29 e 30 de janeiro de 1979.

Estava consumada a decisão dos constituintes do movimento autónomo de intervenção sindical Carta Aberta, defensor dos princípios da liberdade sindical, tal como constava das convenções da OIT, do pluralismo democrático e do direito de tendência.

São 40 anos de investimento numa cultura do compromisso, de defesa do diálogo social e da concertação, do investimento na paz e na estabilidade política, contrariando todos quantos desejavam o exclusivo de representação sindical dos trabalhadores portugueses, sem margem para discordar ou divergir.

Quando queremos convergir, convergimos em unidade na ação. Como no dia 26 de outubro fizeram os nossos sindicatos da administração pública, unidos numa greve geral deste setor, vital para a economia e para os cidadãos, numa luta e reivindicação por melhores condições de vida e de trabalho, depois de dez anos amargos sem aumentos salariais e com as carreiras congeladas sem resolução aceitável à vista. Estamos todos convocados a encontrar soluções que compaginem o rigor das contas públicas e as justas e legítimas expectativas dos trabalhadores da administração pública. Estamos todos disponíveis para encontrar uma solução.

Este percurso de 40 anos de compromissos e de lutas permite-me com orgulho, hoje e aqui, reafirmar os valores e princípios que nortearam os nossos pais fundadores, alguns deles aqui presentes, para que em Portugal se erradicasse o pensamento único, a visão centralizadora e de cúpula desejada por alguns, mas cuja tentativa de hegemonia a Revolução de Abril de 1974 permitiu rejeitar.

Reafirmo solenemente, 40 anos depois, o desejo ardente de Liberdade e de pluralismo democrático – esta é a voz da UGT, com a sua postura moderada e perseguidora de consensos, como expressões mais sentidas desta realidade a que Portugal se habituou - a nossa cultura do compromisso, em defesa dos trabalhadores portugueses e de Portugal, sem tergiversar ou ceder no essencial, quando a oportunidade a isso nos obriga. Continuamos apostados no desenvolvimento do nosso país através de mais crescimento, emprego e justiça social. Assim foi durante os últimos 40 anos. Assim continuará a ser. Neste ano em que comemoramos os 40 anos da nossa fundação, quisemos demonstrar que estamos unidos, com o país e com a Europa, que sempre defendemos como fator valorizador da nossa intervenção sindical, juntamente com os nossos congéneres europeus e de todos os países de língua portuguesa e da diáspora, e agora com esta nova possibilidade que se abre à intervenção da UGT nas Américas, por força do arrastamento positivo que nos foi solicitado pelo sindicalismo do Brasil.

Alegria, Pompa e Circunstância – foi o sinal simbólico do início da nossa sessão solene.

Alegria com a 9ª Sinfonia de Beethoven, a obra imensa que os europeus quiseram transformar no seu hino – o Hino da Europa – onde os versos nos conduzem até à filosófica ideia, enraizada pelo pensamento judaico-cristão, de que todos os homens podem ser irmãos - na paz, na concórdia, na prossecução do bem comum e da harmonia entre todos. Apostar nestes valores é apostar em mais e melhor Europa, rejeitando os excessos antidemocráticos que se vão vislumbrando aqui e acolá, que não tratam os homens todos como irmãos. Basta recordarmos o fenómeno das migrações e os barcos do Mediterrâneo.

Versos cantados com a mesma paixão que Lord Edward Elgar conseguiu exprimir com a obra “Pompa e Circunstância”, capaz de ir buscar aos mais recônditos cantos dos nossos corações, britânicos primeiro, e globais hoje e para sempre, o amor, a lealdade e a fidelidade a uma nação, a um povo, a uma história.

Também desejo expressar o meu agradecimento à Filarmónica Figueiroense, que junta gente da minha terra, Figueiró dos Vinhos a Castanheira de Pera, e que são a expressão maior da valorização do interior do território e das suas gentes. Não é uma fatalidade viver num território de baixa densidade. Pelo contrário, a participação de várias dezenas de músicos nesta banda é um sinal de que há futuro para o interior de Portugal, com tantos jovens a deixarem-se atrair pela música e pela cultura.

A UGT continuará no seu caminho, o mesmo que livremente escolheu há precisamente 40 anos – bebendo nos princípios da Carta Aberta, da Declaração de Princípios que aprovou e que se mantém, ainda hoje, como a espinha dorsal da nossa intervenção sindical no país que a todos nos irmana.

E por isso, quero honrar a memória dos que partiram e de todos quantos permanecem, agarrados a este ideal de humanismo e tolerância que significa a defesa do outro e dos seus direitos ao trabalho e do trabalho.

Aos antigos dirigentes que serviram os trabalhadores portugueses com estoicismo, dedicação, empenho e enorme disponibilidade e coragem, quantas vezes com sacrifício das suas vidas pessoais e das suas famílias, quero agradecer profundamente todo o seu serviço à UGT e ao país.

Os sucessos são lisonjeadores para os momentos fáceis.

Difícil tem sido o nosso caminho.

Iremos continuá-lo unidos e coesos, porque, a unidade e a coesão reforçam a paixão dos fortes.

     
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