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Uma lamentável novela

Firmino Marques

Aos trabalhadores, que estarão remetidos para uma luta em legítima defesa, pedir-se-á a única arma que fará tombar as lamentáveis atitudes patronais: unidade!



O que está a passar-se – e também, ou sobretudo, o que não está a passar-se – em torno das negociações relativas à revisão do acordo coletivo de trabalho do setor bancário vem na sequência da má gestão que as instituições de crédito têm vindo a evidenciar de há uma década a esta parte.

Com efeito, como os leitores certamente têm conhecimento, a incapacidade negocial revelada pelo grupo que representa o lado patronal apenas vem confirmar um posicionamento a todos os títulos inaceitável, ao demonstrar, à evidência, o maior desrespeito e desprezo para com os trabalhadores e suas associações representativas – na circunstância, os sindicatos verticais inscritos na Federação do Setor Financeiro (FEBASE).

Assim, o patronato continua a pretender alavancar os seus lucros à custa da asfixia e das humilhações laborais que persistentemente vem impondo aos bancários, esquecendo-se – ou não percebendo – que foram estes, com a sua inexcedível dedicação, a trave mestra que sustentou as instituições de crédito nos momentos mais conturbados da crise que afetou o setor.

Ao posicionamento cordato e de boa-fé com que os sindicatos mais uma vez se têm manifestado à mesa das negociações, esperar-se-ia idêntico posicionamento da parte patronal. Ao invés, o que esta tem vindo a manifestar são atitudes de afronta ou de silêncio, inacreditáveis e inaceitáveis num país que se quer moderno até sob o ponto de vista de relacionamento intersocial e democrático.

Claro que o patronato também tem de defender os seus interesses. É legítimo. Mas tal defesa não pode confundir-se com situações provocatórias que, em derradeira instância, podem obrigar ao fim da situação de paz laboral que os sindicatos têm por todos os meios vindo a sustentar.

É difícil imaginar-se o que de mais poderiam as instituições de crédito ter feito até ao momento para lesar, de forma revoltante, quem a elas dá o melhor de si próprio, com sacrifício até da sua vida particular: desde o forçar de rescisões – a que melifluamente chamam “por mútuo acordo” – até às reduções remuneratórias, desde as mais pérfidas e constantes pressões até aos despedimentos coletivos, desde o encerramento de balcões até à antecipação de reformas, parece infindável o rol de malfeitorias pensadas e implementadas por quem de gestor apenas apresenta o título.

Aos trabalhadores o que resta? Resistir à reiterada prepotência, aos enxovalhos da permanente injustiça, à infindável indignidade com que são tratados.

Por isso, aqueles gestores que perseguem e prosseguem nas referidas atitudes ainda não conseguiram entender que, com elas, não estão a proteger as suas instituições, antes as vulnerabilizando face ao generalizado descontentamento dos bancários, que cada vez mais pode prefigurar formas de luta gravosas, terminando com a tão desejada paz social. Serão eles – os referidos gestores – os primeiros e últimos responsáveis pela forte turbulência que parece avizinhar-se.

Aos trabalhadores, que numa situação dessas estarão remetidos para uma luta em legítima defesa, pedir-se-á a única arma que fará tombar na lama as lamentáveis atitudes patronais: unidade!



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