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A UGT na Organização Mundial do Trabalho

Aqui reproduzimos a intervenção do secretário-geral da UGT, Carlos Silva, por ocasião da 107ª conferência da Organização Mundial do Trabalho, que se desenrolou no passado dia 6 de junho, em Genebra.


“Tenho a felicidade de intervir nesta sessão do dia 6 de junho de 2018, precisamente 74 anos depois de um acontecimento que mudou a história da Europa e do mundo – o início do longo caminho para a reconquista da Liberdade e da Democracia, com o desembarque das tropas aliadas nas praias da Normandia, nesse Dia D de grande envergadura que ficou para a História com o nome de Operação Overlord.
Liberdade e Democracia que se conquistam todos os dias das nossas vidas, que não são um produto acabado, mas sim um processo dinâmico e de permanente construção, por forma a que, 74 anos depois de milhares de soldados e civis terem tombado, continua a ser necessário lembrar-nos de todos os Homens e Mulheres que caíram para que a paz fosse possível.
Vivemos um tempo de incerteza, de constante confronto com o despertar de novos populismos e demagogias, da exaltação de fanatismos, terrorismo, xenofobia e aprofundamento das desigualdades, de nacionalismos que julgávamos enterrados nos baús da História.
É por isso que vale a pena o trabalho continuado, persistente, corajoso da OIT e das Nações Unidas, em prol da paz, do princípio do compromisso, da necessidade de se estabelecerem pontes de diálogo permanente, seja ele político e partidário, seja social, com a intervenção cada vez mais necessária dos parceiros sociais, fruto da emanação da vontade da sociedade civil organizada, baseado na salutar divergência de opiniões e até de objetivos e de pressupostos, para se conseguirem acordos que estabeleçam entendimentos, nomeadamente sobre um novo modelo de distribuição da riqueza gerada pelo trabalho.
Ao longo destes 99 anos de existência, aqui continuamos a verificar que é sempre possível lutar pela harmonia e pela concórdia, porque vale sempre a pena lutar pela paz.
Só ela permite a inclusão. Só ela nos pode ajudar a combater a pobreza e os esquecidos da vida e abandonados à sua sorte.
A paz surge aliada à tolerância e ao humanismo. E é com paz que podemos centrar as nossas atenções e as nossas energias a colocar o Homem na centralidade das nossas vidas.
Hoje discutimos o futuro do trabalho e as novas formas de trabalho que vão surgindo.


• Mas se não conseguirmos debater o presente e compreendermos qual o futuro próximo das novas gerações;
• se não formos capazes de estabelecer compromissos para garantir que todos os homens podem construir a sua felicidade através do trabalho que lhes permita o sustento das suas vidas e das suas famílias e lhes garanta a estabilidade necessária para constituir essas mesmas famílias, promovendo a natalidade e o sustento dos filhos;
• se não formos capazes de garantir um envelhecimento ativo dos nossos pais e avós, onde a generosidade e o respeito não os abandonem nos seus derradeiros anos de vida;
• se não conseguirmos compatibilizar as nossas vidas profissionais cada vez mais exigentes e stressantes com as nossas vidas familiares, dedicando mais tempo aos filhos e à família;
• se não conseguirmos combater e afastar do nosso quotidiano a tremenda e injusta desigualdade que continua a evidenciar a disparidade de tratamento, salarial, comportamental, de acesso a cargos de responsabilidade política, ou de gestão empresarial, entre homens e mulheres, em que as Mulheres sofrem, muitas vezes em silêncio, a desigualdade a que estão votadas, para além de todas as situações conhecidas de assédio e de violência que ainda não conseguimos erradicar;
• se não conseguirmos antecipar um combate contra outras desigualdades com que todos os dias somos confrontados, para além das questões de género, o nosso trabalho será sempre incompleto;
• se não formos capazes de combater a enorme precariedade que se abateu ao longo das últimas décadas sobre o mercado de trabalho, atirando milhões de jovens para uma situação de enorme exclusão e instabilidade, com o risco de desemprego sempre constante e a emigração como consequência da desilusão e da ausência de expectativas;
• se não conseguirmos ultrapassar tudo isto, então como conseguiremos discutir o futuro do trabalho, se nem hoje conseguimos acertar com o nosso presente?


É por isso, porque acredito no espírito do diálogo social e do compromisso, que a OIT personifica em todo o Mundo, que expresso a minha satisfação e orgulho no acordo de concertação social obtido no passado dia 30 de maio no meu País, entre o Governo, as quatro confederações de empregadores e um dos dois parceiros sociais sindicais – a UGT Portugal, numa verdadeira expressão de unidade dos atores políticos e sociais contra a precariedade e a favor da dinamização da negociação coletiva. Não é para isso que evidenciamos, na OIT, o espírito do tripartismo?
Então, em nome dos trabalhadores portugueses, que represento nesta conferência, posso afirmar que cumprimos o nosso dever ético, cívico e sindical – mobilizar as nossas sociedades e todos os nossos países para que, todos os dias, se construa a Democracia –, com base no diálogo, no espírito do compromisso e da negociação.

Sabemos que o caminho não é fácil, mas o caminho faz-se caminhando. É isto que nos deve motivar a todos.”

     
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