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Home»Nortada»Nortada Detalhe Maio e Junho 2018
 
Há que mobilizar os bancários

O pelouro da Contratação do Sindicato dos Bancários do Norte, constituído por Guerra da Fonseca (coordenador), Álvaro do Bem e Gabriel Costa, é também representante do SBN no Grupo Negociador da Febase, que se encontra a negociar a tabela salarial e cláusulas de expressão pecuniária com o Grupo Negociador (GN) das Instituições de Crédito (ICs).


Atendendo à patente dificuldade de negociação que tem vindo a público, principalmente quanto à forma, pouco ética, que tem sido seguida pelo GN das ICs, a “Nortada” quis fazer com o pelouro o ponto da situação.


Nortada – Como se encontram ou como decorrem as negociações?
Guerra da Fonseca
- Neste momento e ao fim de seis reuniões, as negociações estão num impasse, porque não vemos da parte dos representantes das instituições de crédito a vontade de contribuir para chegarmos a um acordo.


N – Quer isso dizer que as negociações se encontram num impasse e que considera difícil alcançar um acordo?
GF
- Foi dito às ICs, desde a primeira reunião, que a Febase se manifestou sensível aos problemas por que passaram os bancos entre 2010 e 2015, período em que praticamente todos tiveram prejuízos. Por isso, naquele período os bancários não tiveram aumentos. Nestes anos e somada a inflação, foram prejudicados em perto de 9%. Em 2016 e 2017, os aumentos foram de 0,75% em cada ano, o que fez com que recuperassem 1,5% da inflação, mas ainda ficaram prejudicados em cerca de 7,5% no poder de compra.


N – E o grupo negociador das instituições de crédito não foi sensível a essa realidade?
Álvaro do Bem
- Não, muito pelo contrário, tem tido uma postura de arrastamento das negociações, apresentando-se, inclusivamente, sem mandato dos próprios bancos que representa. Aliás, nunca conseguiu contrapor à Febase, de imediato, qualquer valor...

Gabriel Costa - Acrescente-se que desde a primeira reunião a Febase tem mostrado disponibilidade para negociar, o que não é acompanhado pelas instituições de crédito, que apenas contrapõem não estarem mandatadas para apresentar qualquer valor, empurrando para novas reuniões. Tem de prevalecer bom senso por parte dos negociadores, nomeadamente dos das instituições crédito.


N – Neste momento, qual o ponto da situação?
GF
- Como sabe, após cada reunião a Febase emite um comunicado que é enviado para todos os colegas no ativo e na reforma, relatando o evoluir das negociações. Para os que não têm email ou que estão na reforma, colocamos no site do SBN – Sindicato os Bancários do Norte o referido comunicado, para todos estarem informados. Neste momento, o grupo das instituições de crédito aumentou em 0,1% o valor que já tinha apresentado na última reunião, ou seja, passando para 0,7%, contra os 2,1% propostos pela Febase.

AB - Parece-nos que, efetivamente, as instituições de crédito não quererão ultrapassar o valor dos anos anteriores, ou seja, 0,75%. A justificação da parte delas é que a massa salarial, com esse montante, será mais 0,8% a juntar aos 0,7% já assumidos por elas, o que dará 1,5%! É, inquestionavelmente, uma atitude incompreensível.


N – Estando nesse impasse, que atitude vai ter a Febase perante tal intransigência?
GC
- Estamos perante uma situação que já foi discutida no último Secretariado da Febase, ou seja, se esta atitude por parte das instituições de crédito se mantiver na próxima reunião, os nossos representantes darão por terminadas as negociações, abandonando a mesa negocial, a fim de tomar medidas a discutir posteriormente.

GF - Deixe-me dizer que a Febase não pode admitir que as instituições de crédito andem as discutir migalhas, praticando a técnica do “salame”, quando sabem que os bancos estão em fase de recuperação e que têm reduzido em muito os seus quadros, à base de pré- -reformas e de rescisões, sabendo que, ao emagrecerem os quadros, o mesmo trabalho é efetuado por menos pessoas. Ora, isto faz com que aumente o trabalho suplementar não pago, em que poupam muitos milhões de euros. Para a Febase, aquela contraproposta é miserabilista e própria de alguém que não procura entendimentos. Por isso, estamos a pensar muito seriamente em optar por diversas e graves formas de luta, não excluindo a greve, para o que temos de mobilizar os bancários.


N – Acham que os associados darão o seu apoio a essas formas de luta?
AB
- Estamos convictos que sim! Os bancários têm vindo há muitos anos a perder o estatuto que tiveram outrora. Têm sido sistematicamente prejudicados ao longo do tempo, com especial incidência nos últimos dez anos. Por isso temos a certeza que conseguiremos mobilizar os nossos colegas, desde os mais novos que estão no ativo até aos reformados.

GC - É certo que vamos entrar no período de férias mais utilizado pelos bancários, pelo que ainda não sabemos qual o calendário a utilizar. Mas, se na reunião marcada para o dia 22 de junho não houver novidades boas para os bancários, iremos calendarizar as referidas formas de luta.


N – Já passaram décadas desde a última greve. Acham que os bancários estarão disponíveis e mobilizados para avançar para uma paralisação a nível nacional?
GF
- Muito se tem falado ultimamente no Sindicato Nacional, pelo que esta greve, a ser decretada, é efetivamente uma experiência nesse sentido. Temos de estar todos unidos. Todos os bancários têm de estar mobilizados, sejam eles associados do SBN, do SBC ou do SBSI, quer estejam no ativo ou na situação de reforma, porque não merecem este tipo de tratamento por parte das instituições de crédito, uma vez que dão, e sempre deram, o seu melhor em prol das respetivas ICs, muitas vezes com sacrifício da sua vida familiar e da própria saúde. Por isso, no dia 22 de junho – data da próxima reunião – estaremos atentos à atitude das instituições de crédito e dela daremos conhecimento em comunicado e na próxima Nortada.

     
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