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Home»Nortada»Nortada Detalhe Março e Abril 2018
 
A questão do Sindicato Único

Há já algum tempo que se tem vindo a discutir, especialmente ao nível dos dirigentes, a constituição de um Sindicato Único (SU), embora, do meu ponto de vista, sem a participação e a profundidade que a importância do assunto exige.
Desde logo convém clarificar a questão do que se entende por Sindicato Único (SU). Isto porque, pela sua designação, pode entender-se que, em vez dos atuais sindicatos dos bancários, passará a existir um só sindicato congregando todos os bancários.
Ora, não é isso que está em marcha. O projetado SU visa agregar num só sindicato apenas os sindicatos da Febase, que são os sindicatos bancários SBC, SBN e SBSI e dois dos três sindicatos de seguros. Do SU ficam de fora o Sindicato dos Quadros, o SIB, o sindicato da CGD e o Sindicato de Seguros do Norte, e o Sintafe.
Portanto e concretamente, o que se pretende é que os sindicatos da Febase deliberem a sua dissolução e concentração numa nova organização sindical de âmbito nacional, integrando os bancários e os seguros que hoje estão na Federação, não integrando os sindicatos de bancários e de seguros que não pertencem à Febase.
Esta clarificação faz todo o sentido, porque quando se fala em SU pode estar-se a induzir os bancários na ideia errada de que passará a existir um só sindicato do setor e não é isso que está a ser preparado.
A segunda questão que se coloca é saber quais os passos que devem ser adotados para garantir um amplo debate de todos os bancários, porque é o futuro das suas organizações sindicais que está em causa.
Este projeto de fusão dos sindicatos da Febase tem que fazer-se com a participação dos sócios de cada um deles, devendo caber-lhes a última palavra nesse processo e na base de toda a informação necessária a um voto esclarecido.
E nessa informação a prestar aos sócios, devem constar respostas claras a perguntas tão básicas, como por exemplo:
1. Quais as razões para a fusão dos sindicatos, se já existe a Febase?
2. Porque entram sindicatos de Seguros neste projeto, enquanto outros sindicatos de bancários ficam de fora?
3. Desta fusão, quais são as vantagens concretas que resultam para os associados? Porque só faz sentido o desaparecimento do nosso sindicato e passarmos a integrar um novo, se houver vantagens para os associados.
4. Quais os níveis de crescimento previstos para este projeto? Tem potencialidades para crescer ou não?
5. Qual a situação patrimonial e financeira de cada sindicato? E como se resolvem eventuais situações de desequilíbrio financeiro que possam existir entre os vários sindicatos? Quem suporta o quê?
6. Qual o futuro dos três SAMS? Não deveria começar-se pela harmonização das comparticipações, dos direitos e deveres, dos beneficiários dos três SAMS?
7. E qual o futuro dos trabalhadores excedentários dos Sindicatos e dos três SAMS?
8. Que estudos existem para fundamentar as respostas às questões anteriormente colocadas? E que entidade ou entidades externas e idóneas vão realizar esses estudos? Os bancários não podem ser chamados a votar o fim do seu sindicato, obra de gerações e gerações de associados, e a sua integração num novo sindicato de âmbito nacional, sem qualquer debate e só porque alguns dos seus dirigentes dizem que é necessário. Os bancários têm direito a ser esclarecidos das razões desta mudança, que passa pelo fim do seu sindicato. Este passo só faz sentido se o novo projeto se traduzir em mais capacidade para defender os interesses dos sócios e em vantagens para aqueles que estão no ativo ou na situação de reforma.

Guerra da Fonseca

     
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