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Home»Nortada»Nortada Detalhe Setembro e Outubro 2017
 
Os sindicatos têm que reverter a perda de direitos

Guerra da Fonseca


“… é desejável que se declare uma linha vermelha inultrapassável, isto é, que se pare com a tendência de perdas de direitos e se definam as matérias em que se deve iniciar a recuperação possível e a melhoria das condições de trabalho”


Nos últimos anos da Troica e apesar da resistência do movimento sindical, foram destruídos e causados danos de monta nos direitos e regalias dos Bancários, que são do conhecimento geral:
- aplicaram-se cortes salariais;
- acabaram com os prémios de antiguidade e com as promoções por mérito obrigatórias;
- fecharam-se milhares de balcões;
- efetuaram-se e ainda se efetuam muitas rescisões impostas, chamadas “por mútuo acordo”;
- facilitaram-se os despedimentos, reduzindo as compensações;
- paralisaram a negociação coletiva e condicionaram-na com a caducidade dos antigos contratos coletivos.
A estas e a muitas mais situações poderemos dizer que se tratou de um retrocesso com perdas impensáveis.
E isto aconteceu por culpa dos sindicatos do setor?
Não, apenas e só por culpa única e exclusiva das entidades patronais que, a coberto da crise, tudo fizeram para dar uma machadada nos direitos e regalias que os trabalhadores tinham conquistado ao longo de muitos anos. É certo que houve alguns protestos, algumas reivindicações, mas também muita passividade e submissão dos trabalhadores, que foram ameaçados com a caducidade do nosso acordo coletivo, sendo aplicado o Código do Trabalho, muito mais penalizador para todos.
A grande lição a tirar – e como a história do sindicalismo comprova vezes sem conta – é que estas perdas dos trabalhadores não são irreversíveis! Pode haver retrocessos!
O movimento sindical tem que se manter vigilante e capaz de fomentar sempre a solidariedade profissional e a disponibilidade para continuar na defesa e promoção dos direitos e na reconquista das melhores condições de trabalho!!!
Os sindicatos têm que se reiventar e associar-se a outras movimentações sociais e encontrar novas formas de motivação dos trabalhadores para a solidariedade e ação coletiva.
Por sua vez, os trabalhadores, as suas organizações de classe, o movimento sindical, que fizeram nascer e crescer o Direito do Trabalho, não podem baixar os braços, desistir, como se os direitos, entretanto perdidos, fossem irreversíveis, e lutar com todas as forças para tentar repor os direitos conquistados com tanto suor e entretanto perdidos.
Por isso, é desejável que se declare uma linha vermelha inultrapassável, isto é, que se pare com a tendência de perdas de direitos e se definam as matérias em que se deve iniciar a recuperação possível e a melhoria das condições de trabalho, desde a retribuição (não se pode perder mais poder de compra), avaliações de desempenho (critérios objetivos) mobilidade funcional e geográfica, progressões na carreira e muitos mais temas tão queridos aos Bancários.
Temos que repor a efetividade dos direitos!

     
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