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A tragédia dos bancários portugueses

Miguel Alexandre Ganhão
miguelganhao@cmjornal.pt|
Correio da Manhã de 13/3/2017



Ser bancário em Portugal não é tarefa fácil nos dias de hoje. Considerada outrora uma das profissões mais seguras e prestigiadas do mercado de trabalho, a função do gestor bancário tem vindo a ser substituída por formas de atendimento à distância, banca telefónica ou internet. Enterrados em créditos desastrosos e pressionados pelos acionistas, os bancos viram-se para o corte de custos como forma de aumentarem a rentabilidade perdida por taxas de juro historicamente baixas e por clamorosos erros de gestão.
Mas serve esta introdução para assinalar mais um acontecimento trágico que aconteceu na semana passada, quando um funcionário do BPI decidiu pôr termo à vida num escritório bem no centro de Lisboa. Saído de uma OPA que passou o controlo da instituição para mãos espanholas (Caixabank), o BPI vai sofrer um processo de reestruturação, implicando a saída e mudança de funções de milhares de trabalhadores. As movimentações não podem ser ignoradas pelas autoridades que supervisionam as condições de trabalho.
O que leva um funcionário com anos de experiência, a fechar-se no gabinete do chefe para colocar termo à vida tem que ter uma justificação muito forte e não pode passar sem uma investigação profunda. Não é caso único. Em 2016, um funcionário do Novo Banco também pôs termo à vida após ter assinado um acordo de rescisão.
Neste caso, outros problemas familiares vieram agravar a situação de desespero. A banca portuguesa tem muito para refletir... assim como têm os seus depositantes.

     
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