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Home»Nortada»Nortada Detalhe Maio e Junho 2016
 
Trabalhadores!

Os trabalhadores terão de voltar a ser trabalhadores, como sempre foram. E deixar de ser colaboradores.

Banco Português de Negócios, Banco Privado Português, Banco Espírito Santo, Banif?
Lembram-se destes bancos?
Fruto de gestões danosas, vítimas de investimentos especulativos, fruto de alguns desvarios, acabaram por ser devorados e desapareceram do nosso imaginário, prejudicando investidores, lesando clientes mas, fundamentalmente, roubando a muitos trabalhadores o seu posto de trabalho e a sua subsistência, lançando assim famílias na miséria.
E por onde andam os responsáveis de tudo isto?
Que procedimento tem tido a Justiça para punir aqueles que delapidaram milhões e milhões de euros, destruíram milhares de postos de trabalho e roubaram poupanças de clientes acumuladas com grandes sacrifícios e fruto de muito trabalho? Continuam impunemente a passear-se na baía de Cascais, passeiam-se na Expo, fazem-se notar nas revistas cor-de-rosa e, pasme-se, alguns até se transformaram em comentadores económicos em canais televisivos!
E os trabalhadores?
Numa primeira fase, passaram a ser um número e não um nome, de trabalhadores passaram a colaboradores e, ultimamente, são as grandes vítimas das “reestruturações”, com as quais se pretende pôr ordem nas casas que foram sendo destruídas de forma irresponsável e leviana por aqueles que se continuam a pavonear como se não tivessem sido os responsáveis pela destruição de toda esta riqueza.
E a Europa – casa de solidariedade e de causas, espaço de democracia e de fraternidade, lugar de apoio e de ajuda – como procede e atua?
Não lhe competindo, há que reconhecer, pagar os desvarios fruto de má gestão destes “banqueiros”, ajudar já seria uma contribuição solidária e fraterna se, relacionado com estes apoios não estivesse subjacente a necessidade de, nas empresas apoiadas, se proceder a reestruturações, que mais não são do que despedimentos e rescisões de contrato atingindo trabalhadores que em nada contribuíram para tal estado de coisas – bem pelo contrário, evitaram, com o seu trabalho e esforço, que o mal ainda fosse maior.
Esta terá que ser uma Europa claramente rejeitada por trabalhadores.
Mas, se queremos que a Europa mude, e a Europa precisa de voltar a ser um espaço de democracia, de tolerância e de preocupações sociais, também queremos que os banqueiros deixem de ser as pessoas que nos emprestam dinheiro para comprarmos um guarda-chuva quando faz sol e pedem a devolução do mesmo quando começa a chover, com a indicação de que o período de garantia terminou.
Mas também devemos querer explicações de como tudo isto aconteceu, por onde andavam os supervisores do setor financeiro e como foi possível efetuar certos “negócios” no setor financeiro português, como num passado recente aconteceu. Como igualmente estaremos atentos a bancos que efetuaram despedimentos coletivos, com a justificação da necessidade de desinvestimento em Portugal e passado meia dúzia de meses se perfilem para a compra, em parte ou em todo, de bancos que possam ser vendidos.
A tudo isto estaremos atentos, como compete a um Sindicato. Mas os trabalhadores terão de voltar a ser trabalhadores, como sempre foram.
E deixar de ser colaboradores.

     
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