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Home»Nortada»Nortada Detalhe Maio e Junho 2016
 
O lado bom e o reverso da medalha…

Joaquim Afonso – coordenador –, Romeu Neves e José Lessa são os membros da Comissão Sindical de Empresa (norte) do Banco de Portugal. Concederam-nos a entrevista que a seguir transcrevemos.

P. Quais são os principais problemas com que se confrontam, no exercício da vossa atividade?
R.
Sabe, o BdP é um banco específico, pelo que na atividade sindical não nos deparamos com problemas da mesma gravidade dos que existem habitualmente na banca comercial. Até podemos adiantar que a relação com a administração é de normalidade. Ou seja, a nossa relação com os associados circunscreve-se mais a uma gestão da informação de e para o sindicato.

P. E nesse aspeto, é satisfatória?
R.
Bastante. A informação flui bastante bem, até porque os serviços do banco estão, na zona norte, concentrados em dois edifícios no Porto e um em Braga. Mas para além disso, mantemos reuniões periódicas com o Secretariado Sindical do SBSI no BdP, com quem promovemos anualmente um encontro de delegados sindicais de todo o país, para debatermos os problemas existentes na instituição e para auscultarmos as opiniões dos colegas representantes de todos os associados.

P. Fica-se por aí a vossa atividade?
R.
Não! Há mais! Trimestralmente reunimo- -nos com o administrador responsável pelo pelouro dos Recursos Humanos e respetiva Direção, com o objetivo de lhes apresentarmos os problemas que entretanto detetamos junto dos associados e de recebermos informações que aqueles elementos nos transmitem, sobre a evolução da vida da instituição. Para além disso, reunimo-nos, sempre que necessário, com a diretora adjunta, que se encontra permanentemente na filial do Porto.

P. As notícias que constantemente veêm a público sobre a supervisão bancária não afetam os trabalhadores do BdP??
R.
Claro que afetam, como afetariam em situação idêntica numa qualquer outra empresa. Evidentemente que não é agradável vermos a nossa empresa com tanta frequência nas bocas do mundo e muito menos quando as notícias nem sempre correspondem à verdade. Mas queremos deixar bem claro que, no que se nos refere – e é isso que aqui está em causa – podemos garantir que os trabalhadores do BdP sempre deram, continuam a dar e darão no futuro o seu melhor para garantir que o prestígio da instituição seja colocado ao mais alto nível.

P. Quais os sentimentos que os trabalhadores do banco vos transmitem, relativamente ao momento que vivem?
R.
Bem, esta coisa de sermos uma instituição diferente tem os lados positivos, mas existe um reverso da medalha, como ficou espelhado no caso dos cortes salariais da administração pública, com repercussões enormes em todos os trabalhadores do BdP, não apenas em termos remuneratórios, mas também em situações que tinham a ver com o apoio à qualidade de vida. Ora, isto veio juntar-se ao facto de no setor não haver aumentos salariais desde 2010. Portanto, aquela não constituiu uma situação pontual que se tivesse esvaído no horizonte, antes continuando a refletir-se no quotidiano de muitos trabalhadores, apesar de na administração pública ter já começado a ser revertida.

P. Como veêm o futuro da instituição, nomeadamente na zona norte?
R.
De forma apreensiva. Uma das situações que mais nos preocupa é a falta de renovação, ou seja, a total ausência de entrada de gente nova para os quadros do banco. É certo que têm sido contratadas algumas pessoas em regime de outsourcing, mas não é assim que se constrói o futuro. O envelhecimento do quadro continua a acentuar-se no Porto e, principalmente, em Braga, agência que é a única, a nível nacional, para a qual não foi admitida ninguém nas últimas três décadas.

P. Mas têm dados concretos sobre o que afirmam?
R.
Não, só respondemos afirmativamente como gostaríamos de sublinhar esta afirmação com um dado estatístico que não é passível de contradição e que comprova, à evidência, a gravidade da situação: a média etária é de 56 anos no Porto e de 57 em Braga. E, por outro lado, tem-se assistido a uma contínua saída de trabalhadores, fruto de reformas, o que aumenta o nosso grau de preocupação. De resto, temos vindo, desde há longo tempo, a alertar a administração para esta situação, sem que haja sinais de qualquer resolução.

P. Pode dizer-se que o banco tem uma boa política de descentralização?
R.
Não e sim. Ou seja, por um lado, temos perdido algumas valências, que consideramos fundamentais. Por exemplo, o atendimento ao público reduziu-se para menos de metade, devido ao facto desse serviço ter passado a ser prestado online. Por outro lado, com a diminuição da utilização do cheque como meio de pagamento, também foi reduzido em cerca de 75 por cento o processo de restrição ao uso de cheque. Mas passamos a trabalhar em outras áreas, como o Plano Nacional de Formação Financeira (em que vamos à escola e a diversas instituições falar sobre literacia financeira) e formação sobre a nota do euro nas escolas e nas empresas (versando sobretudo as questões de segurança). Mas também vamos às empresas de transporte de valores fazer inspeção à qualidade das notas (para determinar se ainda estão em condições de circular ou se devem ser destruídas), bem como fazemos inspeções às ATM. Num outro aspeto, foi criado, há cerca de dois anos, o Laboratório de Investigação em Microdados, com trabalhadores do banco, onde doutorandos de diversos estabelecimentos de ensino fazem estágios curriculares. Mais ainda: o núcleo que só dava apoio ao Fundo de Garantia passou a apoiar também o Fundo de Garantia de Crédito, o Fundo de Garantia de Depósito e o Fundo de Resolução.

P. Entretanto, as carreiras no banco mantêm-se estacionárias?
R.
Pelo contrário. No passado dia 1 de fevereiro entraram em vigor novas carreiras: a técnica e a técnico-profissional, o que veio possibilitar uma maior progressão na carreira aos trabalhadores, desmontando assim algumas barreiras até agora existentes.

P. O que têm a dizer quanto às condições de trabalho no banco?
R.
São boas. E há dois anos a estrutura sindical norte e sul do BdP conseguiu elaborar uma lista de representantes dos trabalhadores na Segurança e Saúde no Trabalho, estrutura que é apoiada pela administração. Estes elementos reúnem-se periodicamente com a administração e com o Núcleo de Engenharia e Segurança do banco.

P. Qual o ponto da situação das relações da comissão sindical com o SBN e o SAMS?
R.
São boas! Em relação ao sindicato, temos apenas dois reparos a fazer. O primeiro, por considerarmos que o representante às reuniões do Stand Comittee e do Diálogo Social, à semelhança do que acontece no SBSI, deveria ser um elemento da estrutura sindical. O outro é o de que os associados nos têm feito chegar a opinião de que se encontram bem munidos de informação que o SBN lhes transmite no que diz respeito a atividades de cultura, desporto, lazer e tempos livres, mas que carecem de mais no que se refere à atividade sindical. Quanto ao SAMS, temos toda a informação necessária, através do coordenador do pelouro da Estrutura Sindical e Sindicalização, a qual divulgamos sempre e atempadamente pelos nossos colegas do banco.

P. Uma última palavra: antecipando o futuro…
R.
Ora aí está um prognóstico complicado, porque a situação também é complicada. Os sindicatos têm de encontrar soluções que motivem os mais novos para se sindicalizarem. Estamos convictos de que não é uma tarefa fácil. Sabemos que essa é uma das principais preocupações da Direção. Mas o facto de ser difícil não pode querer significar que seja impossível. Por outro lado, queremos referir que consideramos absolutamente necessário e fundamental que, aquando das próximas negociações do acordo de empresa do BdP, esteja sempre presente, em todas as reuniões, um elemento nomeado pela estrutura sindical do banco.

     
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