Pesquisa

ok
Home»Nortada»Nortada Detalhe Maio e Junho 2016
 
1º de Maio da UGT

Mobilização aproximou-se das seis centenas de associados e familiares de toda a área do Sindicato dos Bancários do Norte

Como referimos na passada edição desta revista, o Sindicato dos Bancários do Norte marcou notória presença na manifestação que a UGT organizou no 1º de Maio, em Viseu, no Pavilhão Multiusos da Feira de S. Mateus, com uma delegação que se aproximou das seis centenas de associados e membros dos respetivos agregados familiares.

Os manifestantes deslocaram-se para o local do evento em uma dezena e meia de autocarros que o sindicato para o efeito contratou e que fizeram o percurso a partir da sede e de diversas delegações, enquanto muitos outros participantes optaram por se juntar em veículos particulares.
A delegação do SBN tornou-se, assim, particularmente visível em numerosos momentos do evento – quer antes, quer depois da intervenção político-sindical do secretário-geral da central sindical. Esta deslocação em massa de bancários das mais diversas regiões do norte do país a uma manifestação foi das mais significativas de que há memória nos últimos anos, uma vez que a UGT fez questão de assinalar a efeméride como uma jornada de luta, mas também como um momento de festa, em que os trabalhadores pudessem estar acompanhados das suas famílias.


Carlos Silva: em busca dos direitos perdidos

O secretário-geral da UGT iniciou a sua intervenção político-sindical com uma saudação ao Dia da Mãe, que naquela data também se comemorava, com “um abraço do tamanho do mundo para a vossa generosidade, compreensão, carinho e amor que continuam a dedicar à Humanidade”.
Mais à frente, enfatizou que se criou nos últimos anos, através do discurso e da prática política, um aparente fosso entre trabalhadores do público e do privado: “profundamente lamentável” – comentou. A UGT e os seus sindicatos representam todos por igual – esclareceu a seguir, para garantir que “todos são trabalhadores e merecem o nosso respeito, admiração e apoio”, reafirmar que “estamos ao lado de todos nas suas reivindicações” e questionar: “Alguém lhes perguntou se estavam dispostos a perder parte dos seus salários e pensões? Alguém lhes perguntou se abdicavam dos seus direitos que demoraram décadas a construir sobre carreiras e progressões, sobre horários de trabalho, sobre férias, remunerações e todas as outras matérias constantes da sua contratação coletiva? Alguém perguntou aos reformados da Carris e do Metro se autorizavam a retirada dos seus complementos de reforma? Não – ninguém lhes perguntou.”
Por isso, “com Tróica ou sem ela, sem imposições de entidades estrangeiras que, a troco de empréstimos usurários, aplicam regras antidemocráticas que esmagam os povos e os seus direitos e esbulham os rendimentos do seu trabalho, queremos afirmar que exigimos a reversão dos direitos que estas centenas de milhar de mulheres e homens perderam nos últimos anos” – prosseguiu Carlos Silva.
O líder da UGT acentuou depois não pretender lançar quaisquer ameaças veladas ou explícitas ao Governo: “Por isso importa que o diálogo social flua entre Governo e sindicatos, como melhor arma para alcançar uma efetiva e desejável paz social que o país merece, depois de uma tão grave e longa crise de austeridade que se abateu sobre os portugueses”.
E por isso adiantou a disponibilidade da central para, em concertação social, valorizar o programa nacional de reformas que o Governo apresentou, “com o objetivo de investir em soluções que resolvam problemas estruturais do país, como forma de diminuir as graves assimetrias regionais que teimam em subsistir e que promovam uma maior coesão territorial e social, com equilíbrio e sustentabilidade”.
Quanto à austeridade: foi “imposta de forma draconiana, que deveria envergonhar as democracias que construíram a Europa; é por isso que o movimento sindical, entre outras organizações que pugnam pela soberania e pela autodeterminação dos seus povos, continua a afrontar os poderes que querem esmagar os direitos de quem trabalha; o poder económico, financeiro e burocrático, que ninguém conhece, que o povo não elegeu, que percorre os corredores das instituições europeias e do FMI, sobrepõe-se, com ousadia e arrogância, ao poder democrático das nações, cujas instituições os povos escrutinam e elegem e cujos governos prestam contas em cada ato eleitoral, para aferir a gestão política da coisa pública; importa, pois, fazer sentir a quem nos governa que os rendimentos de quem trabalha não podem estar à mão de semear de qualquer BCE, ou FMI, ou Comissão Europeia”.
Carlos Silva passou a ser mais explícito: “À mínima escorregadela orçamental, aí temos os mandões comunitários, atirando com ameaças se houver a mínima hipótese de atualização do salário mínimo nacional, ou se for desbloqueada a negociação coletiva, ou se houver reversão de cortes aos trabalhadores e aos pensionistas. Não é esta a Europa que queremos, nem que merecemos. Rejeitamos a ideologia das obsessões pelos défices.
E invocou os valores fundacionais da Europa: “É tempo de retomarmos o primado da política sobre a economia, defendendo o regresso dos princípios de Jean Monnet e dos restantes pais fundadores desta União Europeia, onde a solidariedade entre os países que a compõem não pode ser uma palavra vã. Com tais exemplos de ausência de solidariedade europeia, onde os mais fortes exploram os mais frágeis, onde se põem em causa direitos que julgávamos inatacáveis, violando princípios e regras democráticas, como hão de os europeus, que vivem em democracia há mais de quatro décadas, acreditar na classe política? Tudo se promete e, de repente, quem vota é espoliado dos seus direitos!”
Por isso, Carlos Silva anunciou “ter chegado o momento de olharmos para o futuro e de encetar uma reivindicação, justa a nosso ver, de nos ser devolvido o que nos foi tirado sem ninguém nos ter pedido autorização para isso. Sabemos que abandonar a austeridade, de uma forma imediata, seria o desejável. Mas, pelo menos, mantenha o Governo a vontade política de, ao longo da atual legislatura, ir minimizando os sacrifícios de quem tanto sofreu. Saiba o Governo aliar o respeito pelos compromissos internacionais do país, com a sensibilidade social que nos tem faltado!”


Lucinda Dâmaso: mensagem de esperança

A primeira a usar a palavra foi a presidente da UGT, Lucinda Dâmaso, que endereçou uma mensagem de esperança a todos quantos se encontram neste momento à procura do primeiro emprego, aos desempregados de longa duração, às mulheres (designadamente no combate às desigualdades e pela igualdade de oportunidades), a todos quantos estão dependentes de um emprego precário. Mostrou, também, a solidariedade da UGT para com os reformados e pensionistas e para aqueles que não desfrutam da vida a que têm direito.
A presidente da central chamou ainda a atenção para a necessidade premente de investimento que o país evidencia, como alavanca fundamental suscetível de um crescimento sustentável que permita a criação de emprego digno.


A animação no 1º de Maio da UGT

As comemorações do 1º de Maio da UGT em Viseu estiveram também bem “condimentadas” por um vasto leque de ofertas culturais e de animação.
Para além do momento de maior cartaz, que ocorreu após a intervenção político-sindical do secretário-geral da UGT, com os Hi-Fi Energy Music (Viseu), houve uma arruada de bombos e tambores com os zés pereiras de Tevas “Os Parentes” e uma arruada de gaitas de foles com o grupo feminino “Girafoles”.
No palco atuaram a tuna do polo do Crato da Escola Profissional Agostinho Roseta e o Coro Mozart.
No interior do pavilhão, muitos insufláveis e um trampolim de saltos. Ali se realizou também a 13ª jornada do torneio do Clube de Xadrez da UGT/Viseu. De resto, aquela modalidade mereceu destaque, uma vez que um tabuleiro gigante de xadrez espontâneo concitou a curiosidade dos milhares de manifestantes, ao mesmo tempo que decorria o ensino livre de xadrez. Por fim, uma referência para a realização de pinturas artísticas ao vivo sobre o 1º de Maio.

     
   Imprimir        Voltar        Topo
Copyright © 2007 SBN