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Passeio pedestre da castanha e do castanheiro

“Mais vale um castanheiro do que um saco com dinheiro”

No passado dia 28 de Outubro realizou-se um passeio pedestre às Terras do Demo – designadamente à vila de Sernancelhe, localidade, bem no coração de Portugal, com história anterior à fundação da nacionalidade portuguesa, já que o primeiro foral data de 1124.
Abraçada pelo rio Távora e pela ribeira do Medreiro, berço de Aquilino Ribeiro, foram os seus magníficos soutos a primeira atração.
Sessenta e nove caminhantes sob o patrocínio do Sindicato dos Bancários do Norte, integraram-se no Passeio Pedestre da Castanha e do Castanheiro, organizado pela Associação Ambula IPSS e pela Câmara Municipal de Sernancelhe, com o apoio da Escola Profissional de Sernancelhe.
Foram perto de seis centenas de pedestrianistas de várias regiões do país que se concentraram no Expo Salão de Sernancelhe, contando com um dia de sol, uma temperatura amena e um percurso circular, repartido em duas etapas, uma de oito quilómetros e outra mais exigente, com mais alguns “passos” que, completada, assumia uns generosos treze quilómetros, atingindo uma altitude próxima dos oitocentos metros, no alto de Nossa Senhora de Ao Pé da Cruz, onde aos participantes esperava um delicioso reforço, alavanca fundamental para o que faltava percorrer.
Mas o que melhor define esta rota no coração da Terra da Castanha, com os recantos marcados por trilhos exuberantes de belezas várias, é a passagem pelos frondosos e imponentes soutos seculares, pela paisagem moldada pelo outono e pelos tons de castanho, as bermas dos caminhos pejadas de ouriços, os carreiros estreitos e sinuosos que ajudam a criar um ambiente de aconchego e cumplicidade.
Depois de umas horas passadas na Festa da Castanha, que cumpriu este ano 25 edições, e onde se pôde observar a montra daquele fruto e de todos os produtos da terra, ainda houve oportunidade de visitar o santuário que durante décadas rivalizou em importância com o de Compostela: o Santuário de Nossa Senhora da Lapa, que abriga no interior uma gruta, cuja lenda de cinco séculos diz que “Por ali todos passam excepto quem tiver pecado grave”, ou seja, independentemente da massa corporal e “barriguinha”, todos passam exceto os que cometeram pecados capitais. A passagem é realmente muito estreita e é preciso moldar o corpo à pedra.
Todos afirmaram ter passado, mesmo aqueles que antes se tinham vergado ao pecado da gula pelos doces conventuais da região, como as cavacas de Freixinho, os famosos fálgaros ou as queijadas de castanha de Sernancelhe. Felizes e abençoados, os participantes regressaram, relembrando as palavras de Aquilino Ribeiro a propósito do herói da jornada: o castanheiro: 300 anos a crescer, 300 no seu ser, 300 a morrer – o derradeiro gigante da nossa flora.



     
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